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ANÁLISE-Fundamentos seguram commodities em meio à queda de ações

Os preços das commodities agrícolas,em especial dos grãos, estão no momento menos suscetíveis àsturbulências nos mercados financeiros e mais ligados aosfundamentos de cada produto, desde que a situação não comece aafetar a renda e o crescimento das economias, disseramespecialistas nesta sexta-feira. Na quinta-feira, enquanto as ações de Wall Street caíramfortemente devido a problemas com crédito nos EUA, contaminandooutras bolsas de valores internacionais e valorizando o dólarno Brasil, os grãos em Chicago fecharam em alta. Nesta sexta, asoja e o milho foram negociados mais sob influência do "mercadoclimático" nos EUA. "Se (o mercado) começar a ver que isso está impactandonegativamente na economia, pode ocasionar um impacto negativonas commodities como um todo, o que ainda não é o caso",afirmou a vice-presidente da vendas da Fimat em Nova York,Flávia Moura, por telefone. Ela destacou que os mercados agrícolas estão, atualmente,mais ligados a fundamentos, ressaltando ainda que a liquidaçãoque os fundos fizeram desde meados de junho, embalados pelamelhora nas condições da safra dos EUA, deixou pouco espaçopara uma maior contaminação por turbulências financeiras agora. "Em geral, os fundos têm muito pouco para queimar no milho,eles saíram de uma posição de quase 370 mil contratoscomprados, hoje têm 90 mil contratos apenas, fizeram uma belaliquidação", disse ela, lembrando que na soja a situação ésemelhante. A corretora disse ainda que, no caso da soja, o mercado deChicago está sofrendo com uma queda na demanda da China, emmeio à redução das margens do esmagamento chinês, num períodode preços mundiais historicamente elevados. Flávia não descartou, no entanto, quedas nos preçosagrícolas se essa turbulência se transformar em uma crise maiore afetar o desempenho das economias. "Vão sentir muito mais seos números começarem a afetar a economia em geral." O diretor da MB Agro José Carlos Hausknecht concorda. "Osfundamentos dos mercados agrícolas estão muito fortes, não têmpor que serem afetados por esse movimento, que é mais decrédito", disse ele, lembrando ainda que a nova demanda deprodutos agrícolas para biocombustíveis mudou o patamar depreços das commodities. "Em princípio não vemos (a turbulência) afetandograndemente o crescimento, a renda de países como a China...apesar do nervosismo, então não tem motivo de ter um movimentomais brusco nos mercados agrícolas." DE OUTRO LADO, O CÂMBIO As fontes destacaram também que esse nervosismo nosmercados financeiros, caso se repita, pode fortalecer o dólarfrente ao real, como ocorreu na quinta-feira, e elevar ospreços pagos aos produtores brasileiros de soja e café, o queestimularia os ganhos e consequentemente as vendas. "Falando de mercado interno, tem a questão do dólar, quecom certeza é um fator interessante para o pessoal daagricultura, isso é repassado, rapidamente internalizado nospreços", disse Hausknecht. "A desvalorização (do real) causa um estímulo muito maiorpara o setor de exportação", acrescentou Flávia. Com a valorização do dólar de mais de 3 por cento naquinta-feira, associada a uma alta da soja em Chicago, osnegócios aumentaram razoavelmente no mercado interno. "Deu uma puxada, houve comercialização... mas durou algumaspoucas horas", disse o corretor Antônio Sartori, da Brasoja, noRio Grande do Sul. Nesta tarde, o dólar recuava . (Por Roberto Samora)

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