carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Análise: Gesto ajuda Bolsonaro a defender aposta na parceria com EUA

Gesto de Trump de preterir a Argentina praticamente não teve custo político para os EUA, pois equipe econômica de Alberto Fernández está se formando, mas candidatura à OCDE dificilmente será uma prioridade para o novo presidente argentino

Oliver Stuenkel*, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2020 | 04h00

A decisão do governo americano de colocar o Brasil na frente da Argentina, alterando sua ordem de preferência no processo de adesão de novos membros da OCDE, é uma notícia bem-vinda para o governo Bolsonaro. Afinal, o presidente brasileiro acumulou uma série de derrotas importantes na política externa até agora, entre elas o mal-estar desnecessário criado na relação com a China e o mundo árabe (seguido por tentativas de consertar o estrago) e o isolamento diplomático crescente no Ocidente. Críticos também questionam a aposta na aproximação com o governo Trump, decisão quixotesca no momento em que a maioria dos principais aliados dos EUA busca reduzir sua dependência do presidente americano, que é visto como errático e pouco confiável. 

A preferência americana pelo Brasil na corrida pelo ingresso na OCDE é um dos poucos resultados positivos da investida de Bolsonaro na aproximação com o governo Trump, que deixou de gerar frutos pela relutância americana de abrir seu mercado para produtos brasileiros e pela incapacidade brasileira de ajudar os EUA a limitarem a influência chinesa na região – única contribuição geopolítica relevante que Bolsonaro poderia oferecer a Trump. O gesto de Trump de preterir a Argentina praticamente não teve custo político para Washington. A equipe econômica do governo Alberto Fernández ainda está se formando, mas já se sabe que a candidatura à OCDE dificilmente será uma prioridade para o novo presidente argentino. Diferente do Brasil, onde a OCDE evoca paixões no debate público, sendo vista por alguns como uma ameaça à autonomia estratégica do País e, por outros, como símbolo de uma superação da política externa petista – ambas ideias que não se baseiam em evidências –, na Argentina o tema nunca chegou a ser discutido fora do pequeno círculo de especialistas. Como o apoio americano à candidatura brasileira é apenas um fator em um processo de expansão lento que depende de vários outros requisitos a serem cumpridos, ainda é incerto se a adesão ocorrerá durante a presidência de Bolsonaro, ou se fica para depois.

* É PROFESSOR DA FGV

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.