ANÁLISE: Informalidade não é para assustar

O maior crescimento econômico do próximo ano vai estimular a criação de postos formais e a nova legislação trabalhista deve incentivar a redução da informalidade. O aumento da informalidade não será permanente

Fernando de Holanda Barbosa Filho*, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 00h08

Os resultados divulgados nesta quinta-feira, 1, pelo IBGE (na PNAD Contínua) confirmaram o fim do pior momento do mercado de trabalho brasileiro e consolidaram o processo de recuperação do emprego no país. O desemprego, que atingiu um pico de 13,7% no primeiro trimestre do ano, continua em trajetória de queda, com a taxa ficando em 12,8% no trimestre entre maio e julho. O número de desempregados recuou de mais de 14 milhões para 13,3 milhões.

Ou seja, houve melhora, mas a fotografia continua horrorosa, com um contingente de desempregados gigantesco. Como esperado, a recuperação está ocorrendo primeiramente na parte mais flexível de nosso mercado de trabalho, com aumento da informalidade, tanto de trabalhadores sem carteira como de trabalhadores por conta própria. Essa parece ser a trajetória natural de retomada após uma crise tão longa e profunda como a atual. Primeiro, serão criados postos de trabalho informais para em seguida observarmos um retorno dos empregos formais.

De qualquer forma, a criação de empregos informais e o ritmo da queda do desemprego estão acima do previamente esperado. O que é uma boa notícia.

O pequeno aumento dos empregos com carteira apresentados na PNAD Contínua confirma os dados do Caged que mostram alguma criação líquida de postos formais nos últimos meses. O ritmo ainda lento é reflexo da recuperação da economia que, após quedas de 3,5 pontos porcentuais nos últimos dois anos, deve apresentar resultado positivo de 0,3% em 2017. À medida que a recuperação econômica ganhe tração, o mercado formal de trabalho também mostrará a sua força.

Em resumo, a recuperação atual do mercado de trabalho é bastante positiva. O aumento da informalidade é somente uma etapa em nosso processo de retomada e não deveria assustar o leitor.

O maior crescimento econômico do próximo ano vai estimular a criação de postos formais e a nova legislação trabalhista deve incentivar a redução da informalidade. O aumento da informalidade não será permanente.

* PESQUISADOR DO IBRE/FGV

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