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ANÁLISE: IPCA de maio surpreende analistas e reforça discurso duro do BC

Para economistas, a alta dos preços está persistente e o indicador só deve mostrar alguma desaceleração no segundo semestre do ano

Agência Estado

10 de junho de 2015 | 10h45

A alta de 0,74% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em maio surpreendeu economistas do mercado financeiro que esperavam uma desaceleração dos preços entre maio e junho. No entanto, com a alta persistente de alimentos e o aumento dos planos de saúde que será sentido no mês que vem, a desaceleração deve ficar para o segundo semestre. Isso reforça expectativas de que o Banco Central manterá o discurso duro para controlar a inflação e dará continuidade ao ciclo de aperto monetário.

O economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, avaliou que o IPCA em maio "surpreendeu com um desvio muito acima das nossas projeções (de 0,60%)", refletindo a percepção de uma dinâmica inflacionária ruim. "Isso reforça o discurso duro do Banco Central de se manter vigilante com a inflação na política monetária", explicou Serrano.

Segundo ele, apesar da surpresa negativa, a alta do IPCA de maio foi puxada por fatores pontuais, principalmente alimentação em domicílio, com alta de 1,60%, ante uma expectativa de 1%. Cebola, tomate, cenoura e ainda carnes, esse último item com uma alta considerável de 2,3% em maio, segundo Serrano, foram os destaques negativos. Para ele, até mesmo os cereais tiveram uma desaceleração menor que o esperado e não contribuíram para segurar o indicador do mês passado.

Outro fator pontual que impactou a inflação em maio foi a alta de 2,77% na energia elétrica, ante aumento de 0,80% esperado pelo Besi Brasil. 

Serrano espera que o IPCA de junho fique entre 0,50% e 0,55% e que uma desaceleração esperada para entre maio e junho possa ocorrer entre julho e agosto, por conta da queda nos preços de alimentos que subiram com força até agora. Para 2015 a inflação deve fechar entre 8,5% e 9%.

A consultoria Tendências deverá elevar sua projeção para o índice em junho de 0,36% para uma marca entre 0,40% e 0,45%, segundo a economista e sócia Alessandra Ribeiro. Entre os fatores que devem determinar tal revisão para cima ela citou o incremento de 13% de planos de saúde no mês passado, que terá impacto no indicador de preços ao consumidor em junho. "Neste contexto de elevação significativa da inflação, a nossa previsão relativa ao IPCA para 2015 deverá aumentar de 8,3% para um número acima de 8,5%", comentou.

Mais juros. Segundo o chefe do Departamento Econômico da Garde Asset Management, Daniel Weeks, o IPCA de maio  concretiza as apostas de que o Banco Central terá de elevar a Selic em mais 0,5 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. Para ele, o atual ciclo de aperto monetário deve levar a taxa básica de juros ao pico de 14,5%, pelo menos.

Para Weeks, o IPCA de maio não permite de forma alguma o BC sinalizar uma mudança na política monetária. "Se o BC sinalizar alguma mudança, largar o osso desse jeito, vai rasgar todo trabalho duro feito até agora e jogar tudo por ralo abaixo", afirma. Segundo ele, a ata da última reunião, que será divulgada amanhã, não deve trazer grandes mudanças. O importante é ver se a autoridade monetária manterá a afirmação de que os ajustes feitos até agora ainda não suficientes e é preciso manter-se vigilante.

De acordo com o economista da Garde, a inflação resiste em ceder, mesmo em meio ao cenário de atividade econômica muito fraca, porque as pressões de custos nos últimos meses foram muito fortes. No acumulado em 12 meses, a energia elétrica, por exemplo, sobe quase 60%. "A demanda está fraca, mas a inflação de custos foi tão forte que tem efeitos secundários. Nós tivemos um tsunami de inflação ali atrás, e são insumos importantes para toda a cadeia produtiva".

Na sua avaliação, isso mostra que certamente o BC não está conseguindo conter os efeitos secundários dos ajustes de preços relativos, em especial o aumento nos administrados. "Quando a gente olha a inflação corrente, sob qualquer ótica, vê que o trabalho do BC está longe de ser finalizado". 

O economista da RC Consultores, Marcel Caparoz, destaca que as famílias estão fazendo seu próprio ajuste ao consumir menos serviços. A inflação de serviços, que ao parar em 0,19% em maio, se mostrou como uma das variações mais baixas dos últimos anos. "As famílias já estão reduzindo a demanda por serviços forçadas pelos impactos do desemprego e redução da renda", disse o economista. (Reportagem de Gustavo Porto, Francisco Carlos de Assis, Álvaro Campos e Ricardo Leopoldo)

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