ANÁLISE-Juro menor nos EUA deve impulsionar real ante dólar

A continuação dos cortes dos jurospelo Federal Reserve nos Estados Unidos para evitar umarecessão deve impulsionar o real, mas ter efeito contráriosobre o peso mexicano. A economia brasileira tem se beneficiado da alta dos preçosdas commodities, que está elevando a inflação e pode manter osjuros em patamares altos por mais tempo. Mas a economia doMéxico e dos Estados Unidos são muito mais interligadas. "Por ora, a história é de diferencial de juros", disse WinThin, analista de mercados emergentes da Browne BrothersHarriman, em Nova York. "Conforme as taxas caem nos EstadosUnidos, o rendimento de algumas moedas latino-americanasautomaticamente cresce." O Fed deve reduzir a taxa básica de juros em pelo menos0,50 ponto percentual, para 3,75 por cento, na reunião de 29 e30 de janeiro. O crescimento econômico nos Estados Unidos desacelerou noano passado com o aumento das execuções hipotecárias e a quedados preços das moradias, que afetaram os gastos dosconsumidores. Um número cada vez maior de economistas agoraalerta que uma recessão pode ser iminente. Em contraste, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)brasileiro em 2007 deve ser 5,2 por cento, segundo o BancoCentral, e de 4,5 por cento em 2008. A inflação também é maior no Brasil do que nos EstadosUnidos, o que pode forçar a autoridade monetária a manter oatual nível da taxa básica de juros, hoje em 11,25 por cento aoano, por mais do que o esperado. Os fundamentos econômicos do Brasil e do Chile são fortes obastante para superar o impacto de uma desaceleração nosEstados Unidos e de uma diminuição do fluxo de dólares poralguns meses, acrescentou Thin. Nem mesmo a forte queda dodólar em 2007 em relação às moedas locais deve deter osinvestidores. "Ainda há espaço para maiores altas (das moedas locais) emlugares como o Brasil e Chile", disse. A Browne Brothers Harriman recomenda a seus clientes quecomprem a moeda brasileira, e a corretora espera que o realamplie a alta de 20 por cento registrada contra o dólar em2007. A taxa de câmbio chegaria a 1,65 real por dólar na mínimade 2008. "Qualquer coisa que não seja um pouso forçado dos EstadosUnidos vai ter pouco impacto nas principais economiaslatino-americanas", disse Michael Woolfolk, estrategista demoedas do Bank of New York Mellon, em Nova York. "Mas economiasmenores, como Bolívia, Colômbia, Panamá e Peru, podem sofrer." "Um grau considerável de descolamento dos Estados Unidos jáé uma realidade para muitas grandes economias emergentes, comoBrasil, Rússia e China." Os superávits comerciais de países da América Latina devemreduzir dramaticamente neste ano, segundo o ABN, mas por ora,moedas como o real estão ainda mais atraentes para os carrytrades --operações de arbitragem com diferencial de juros-- doque qualquer ativo de economias do G10.

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