Edson Passarinho/AFP
Edson Passarinho/AFP

Lucro da Petrobrás assusta, mas resultado não é tão negativo, aponta analista

Especialista afirma que geração de caixa aumentou, apesar das despesas tributárias; entretanto, mercado reage mal e ações caem por conta do pagamento de dividendos, afetado por lucro menor 

Mariana Sallowicz , O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 11h12

Texto atualizado às 18h30

O lucro líquido da Petrobrás de R$ 531 milhões no segundo trimestre "assusta" em um primeiro momento, mas ao considerar que foi impactado por despesas não recorrentes, a análise é de que o resultado não foi negativo, avalia o analista Flávio Conde, do blog WhatsCall. Um ponto positivo do balanço, explica, foi o Ebitda, de R$ 19,771 bilhões entre abril e junho, alta de 21,7% em relação ao segundo trimestre de 2014. A medida aponta a geração de caixa da companhia, sem levar em consideração juros, impostos, depreciação e amortização. 

"O lucro despencou por conta da despesa tributária referente a IOF de quase R$ 4 bilhões, assim como a baixa contábil de R$ 1,3 bilhão. Ao tirar os dois, o lucro iria chegar em cerca de R$ 4,5 bilhões a R$ 5 bilhões, como era esperado", afirmou. A expectativa do analista era de que o reconhecimento da despesa tributária seria de R$ 1,4 bilhão.

Entretanto, o mercado reagiu de maneira negativa aos resultados da estatal. As ações ordinárias da Petrobrás (com direito a voto em assembleia) despencaram 7,42% e os PN (sem direito a voto) recuaram 6,10%.

Segundo o analista, o mau humor do mercado se dá por causa dos dividendos. "Esse resultado vai fazer diminuir os dividendos, pagos em relação ao lucro do semestre. Se você teve R$ 4,5 bilhões a menos de lucro, tem proporcionalmente menos dividendos para receber. Os investidores vão achar negativo o fato de receberem menos dividendos".

Resposta. O diretor de Finanças e Relações com Investidores da Petrobrás, Ivan Monteiro, reiterou que o plano de negócios estruturado pela nova diretoria tem como prioridade garantir a geração de valor aos acionistas. Por isso, a estatal vai priorizar a rentabilidade de suas operações, em detrimento de volumes, e não cogita alterar o plano de desinvestimentos, tema que origina pressão por parte dos funcionários da empresa e de entidades de trabalhadores. A resposta foi dada após o executivo ser questionado a respeito da distribuição de dividendos.

"Desde a elaboração do plano de negócios, a mensagem que temos dado é a valorização de acionista, a prioridade da rentabilidade em detrimento de volumetria. Estamos focados em garantir maior previsibilidade de resultados e maior disciplina em relação a recursos originados", afirmou o executivo, em teleconferência com analistas e investidores.

O lado bom. A parte positiva do resultado (o Ebitda, segundo Conde) veio acima do esperado. A estimativa era de que ficaria em R$ 19 bilhões. "Ficou um pouco abaixo do Ebitda do primeiro trimestre, mas há um ano atrás foi R$ 16 bilhões. Durante muito tempo, o Ebitda da Petrobrás ficou entre R$ 11 bilhões e R$ 15 bilhões. Agora, mudou de patamar", afirmou.

Na avaliação dele, essa mudança ocorre porque a companhia aumentou o preço da gasolina e do diesel em novembro, quando o petróleo estava em torno de US$ 70. "O petróleo foi no primeiro trimestre para a faixa de US$ 50, permaneceu nessa faixa do segundo trimestre. Portanto, ela teve um ganho grande no primeiro trimestre porque o dólar estava em torno de R$ 3,10 a R$ 3,15, se mantendo nesse patamar no trimestre seguinte".

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