ANÁLISE-Lucros crescem, mas bancos já admitem margens menores

Os lucros e as operações de créditovão bem, obrigado. Mas os grandes bancos brasileiros já começama aceitar margens menores na concessão de empréstimos e reduçãonas tarifas de serviços para proteger seus clientes do assédioda concorrência. É o que mostram os números do primeiro trimestre de 2008 deBradesco e Itaú, as duas maiores instituições financeirasprivadas do país. O primeiro divulgou na semana passada que teve lucrolíquido de 2,1 bilhões de reais no período, um crescimento de23,3 por cento sobre o primeiro quarto de 2007, estabelecendoseu novo recorde. Nesta terça-feira foi a vez do Itaú reportarganho líquido de 2,04 bilhões, um avanço de 7,4 por cento namesma base de comparação. Mas as receitas de ambos com serviços não mostraram o mesmobrilho. As do Itaú cresceram apenas 3,3 por cento em 12 meses ecaíram 6,4 por cento em relação ao final de 2007. Já as doBradesco tiveram alta de 9,5 por cento e declínio de 3,2 porcento nas mesmas bases de comparação. "Isso reflete os maiores esforços para fidelizar clientespor meio de descontos nas tarifas", disse João Augusto FrotaSalles, economista da consultoria Lopes Filho. Além disso, os bancos aceitaram margens menores nasoperações de crédito. Isso aconteceu porque as instituiçõestiveram aumento dos custos de captação de recursos no mercado,em meio à combinação de aumento do IOF sobre operações decrédito e ao efeito da crise de crédito nos Estados Unidos, oque não foi inteiramente repassado aos clientes. Assim, no Bradesco, a margem média nas operações com jurosfoi de 8,4 por cento entre janeiro e março, a menor em trêsanos. No Itaú, essa taxa caiu de 12,5 por cento para 11 porcento em 12 meses. Como resultado, o retorno sobre patrimônio líquido,importante indicador da rentabilidade dos bancos, seguiu atendência iniciada em 2005 e voltou a cair. O índice do Itaúcaiu de 30,5 por cento para 27,9 por cento no período de 12meses encerrado em março. O do Bradesco recuou de 26,2 porcento para 25,6 por cento. Mas na avaliação de Erivelto Rodrigues, presidente daconsultoria Austin Rating, essa tendência não compromete osresultados dos bancos, que seguem vigorosos. "Eles estão compensando a queda nas margens com ganho deescala. Os resultados continuam muito bons", disse. Rodrigues e Salles concordaram que os atuais níveis derentabilidade sobre patrimônio devem se manter nos próximostrimestre. O presidente da Austin aponta também para a postura maisconservadora das duas instituições na política de concessão decrédito, o que deve suportar aumento das operações semdeteriorar sua estrutura de capital. Embora o índice de inadimplência de ambos tenha caído em 12meses (de 5 por cento para 4,3 por cento no Itaú e de 4,6 porcento para 4,3 por cento no Bradesco), ambos elevaram suasprovisões para devedores duvidosos em 7 por cento e 19,6 porcento, respectivamente.

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