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ANÁLISE-Minério e carvão podem elevar preço do aço em até 20%

O ajuste de 65 por cento dominério de ferro não é a única preocupação das siderúrgicas nahora de calcular o aumento do aço para este ano. Também comoferta reprimida por fatores pontuais, o carvão deve subirentre 50 e 80 por cento e puxar uma alta de até 20 por cento nopreço do aço em 2008. Algumas siderúrgicas se anteciparam aos ajustes dosinsumos, como ArcelorMittal, Nippon Steel e Gerdau, eaumentaram o valor dos seus produtos entre 10 e 20 por cento,antes mesmo do anúncio do novo preço do minério de ferro, feitona segunda-feira pela Vale. O minério de ferro produzido pela gigante brasileira noEstado de Minas Gerais foi ajustado em 65 por cento, enquanto oproduto da mina de Carajás, no Estado do Pará, subiu 66 e 71por cento, dependendo do acordo feito com siderúrgicas daEuropa e Ásia, respectivamente. Mas outros ajustes do aço deverão surgir ao longo do ano,avaliam analistas. "As empresas vão testando o mercado, e se já conseguiramter aumento antes do ajuste do carvão e do minério, a leituraque a gente faz é de que as perspectivas de crise por causa daeconomia norte-americana nem são tão graves assim, tem espaçopara repasse", afirmou o analista da Prosper Corretora AlanCardoso. Em uma estimativa preliminar sobre possíveis impactos nassiderúrgicas brasileiras, um analista que não pode seridentificado porque o seu banco participa do "pool" de umpossível empréstimo para a Vale comprar a Xstrata, calcula quea Usiminas deverá fazer pelo menos dois aumentos de preço esteano, no total de 17 por cento. "Com esse aumento de 65 por cento (do minério), insumo querepresenta 13 por cento do custo da Usiminas, e o ajuste decerca de 50 por cento esperado para o carvão, o aumento daUsiminas deve ser em torno dos 17 por cento no ano", afirmou. Ele concorda que a tese de uma forte crise da economianorte-americana, que poderia reprimir ajustes elevados depreços, está cada vez mais afastada do setor siderúrgico.Lembrou que esse segmento hoje conta com a força do consumo naChina e outros países da Ásia, que continuam em crescimento. "O ajuste do minério saiu antes do que se esperava, e se assiderúrgicas não esperaram para ver como vai ficar a economianorte-americana é porque sentem que vão conseguir repassar ospreços, ou seja, a crise não é tão grande", disse o analista. Entre as siderúrgicas que negociam nas bolsas de valores eque são alvo das análises dos especialistas, a CompanhiaSiderúrgica Nacional é uma das mais protegidas, por contar comminério próprio e com isso ter maior margem. "Ela ganha nasduas pontas, com a alta do minério e do aço", observou umanalista, enquanto as empresas do grupo Gerdau utilizam sucata,insumo que demora a sentir mais o reflexo do aumento do minériode ferro. GESTÃO DE CUSTOS Para o analista do ABN Amro Pedro Galdi, será fundamentalpara as siderúrgicas a partir de agora cuidarem muito bem dagestão de custos, já que existe pressão de alta de preços portodos os lados e incertezas em relação ao crescimento daeconomia mundial. "Já já vamos ver aqui o movimento que já está acontecendolá fora, de choradeira dos siderúrgicos, das montadoras deautomóveis, mas sem dúvida vai ter repasse (de preços)",afirmou o especialista, que projeta ajustes mais tímidos para oaço, pelo menos em um primeiro momento, entre 5 e 10 porcento.

DENISE LUNA, REUTERS

19 de fevereiro de 2008 | 19h10

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