ANÁLISE: Mudanças no tom da ata não alteram projeções dos juros

Mesmo que não tenha provocado alterações nas apostas dos analistas para a trajetória dos juros básicos, a ata da reunião de julho do Copom veio com mudanças de tom e redação. Chamou a atenção, principalmente, a supressão de algumas expressões repetidas há tempos, em atas anteriores.

JOSÉ PAULO KUPFER, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2013 | 02h09

A mais notada foi a eliminação do comentário de que a taxa neutra de juros da economia tinha se reduzido, em razão de mudanças econômicas estruturais. Para os oráculos do Copom, o abandono desse lembrete, que frequenta as atas há mais de dois anos, é uma indicação significativa - e preocupante - de deterioração de indicadores macroeconômicos. A retirada da frase passou a mensagem de que o nível de juros que mantém a inflação convergindo para o centro da meta voltou a se elevar.

Houve também a adição de comentários que não constavam de outras atas. Um dos mais importantes destacou os impactos negativos esperados, a partir das mudanças no nível das taxas de câmbio, nos índices de inflação. Segundo o BC, em horizontes mais longos, a política de juros "pode e deve" atuar para evitar que variações cambiais se disseminem em pressões inflacionárias.

Pela primeira vez em muitas atas, o BC relativizou a robustez da demanda doméstica. Também mostrou preocupação com a possibilidade de que a continuidade do declínio nos índices de confiança de empresários e famílias, apontado por pesquisas, possa afetar o ritmo de expansão da economia. A ata não mais ressalta que a expansão econômica se encontra em linha com o crescimento potencial da economia.

O documento, em resumo, transmite um viés de baixa para a atividade econômica e um tom de incerteza em relação à trajetória da taxa de câmbio. Além disso, repete a preocupação com a inflação alta. Mas promete agir com a política de juros para evitar uma escalada das cotações do dólar ao longo do tempo. E, embora reafirme o compromisso de fazer a inflação convergir para o centro da meta, esta possibilidade ainda não é vislumbrada nas próprias projeções do BC para 2013 e, em especial, para 2014.

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