Análise: Nova escalada da moeda dificulta fim do programa de swap

A nova escalada do dólar começa a deixar o Banco Central de mãos amarradas para acabar com o programa de swap cambial, iniciado há quase um ano e meio. Na terça-feira, no Congresso, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que ainda tinha tempo para bater o martelo sobre uma das mais aguardadas decisões da autarquia. "Temos duas semanas para acompanhar o mercado e tomar uma decisão."

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2014 | 02h03

O dólar naquele dia encerrou a R$ 2,595. Ontem, influenciado pelo cenário global e com o preço do petróleo no centro das preocupações, a moeda fechou a R$ 2,659. Ainda falta meio mês para o ano terminar e, no mercado financeiro, ninguém pode garantir qual a tendência das negociações para os próximos dias.

Dezembro já é um mês mais conturbado para os negócios com moedas. Há mais demanda, inclusive por dólar físico. Tanto que o Banco Central retomou os leilões de linha, voltados a esse mercado. A sazonalidade, grosso modo, se dá pelo aumento de remessas de lucros e dividendos de empresas instaladas no Brasil a suas matrizes no exterior. Mas tem muito mais ingredientes nesse comportamento do dólar.

Se a moeda continuar a subir em relação ao real, ficará difícil para o BC acabar com essa proteção diária aos agentes financeiros. A decisão por si só já é difícil. Foi tema da campanha para a Presidência da República, com a declaração da oposição de que, se vencesse, o programa estaria com os dias contados.

Tombini chegou a "testar" a reação do mercado ao fim do programa. No dia em que foi confirmado oficialmente como presidente do BC, ele emitiu sinais contraditórios sobre o tema. A suspeita de que o programa poderia estar no fim causou um repique imediato no dólar.

A decisão de Tombini e sua equipe será crucial para o mercado traçar sua estratégia de atuação nos primeiros dias de 2015 - ano, como todos já sabem, recheado de dias difíceis para a economia.

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