Análise: O ajuste e as chances de 'tocar com a barriga'

Com o programa de swaps cambiais e leilões de linha anunciado pelo Banco Central e alguns indicadores tépidos da economia americana (que seguraram momentaneamente a alta das taxas do título do Tesouro de dez anos), voltou a surgir entre os analistas a pergunta sobre se o governo vai tentar "tocar com a barriga" a política econômica até as eleições do ano que vem. Por um lado, há a ideia de que se caminha, a um ritmo incerto e intermitente, para a normalização da atividade econômica e da política monetária nos países desenvolvidos, especialmente nos EUA. Também se trabalha com a visão de que a China e a Ásia podem crescer nos próximos anos a um ritmo inferior ao do passado recente.

Fernando Dantas *, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2013 | 02h07

Dessa forma, a liquidez internacional deve diminuir no exato momento em que o Brasil precisaria de mais financiamento externo. Daí decorre que um ajuste de balanço de pagamentos seria inevitável, com a redução da trajetória de déficit em conta corrente, que estaria caminhando para 4% do PIB nos próximos anos - segundo algumas análises - se prevalecessem as condições anteriores à forte desvalorização recente.

Um ajuste desse tipo, porém, se for realizado até as últimas consequências, pressupõe uma fase transitória de desaceleração da economia (já de níveis medíocres) e aumento de desemprego, que - caso este cenário se materialize - tem tudo para coincidir com o calendário eleitoral.

É evidente que "tocar com a barriga", isto é, fazer o mínimo de ajuste possível antes da eleição, e deixar o pior para 2015, deve ser a preferência do governo. A grande questão é se isto ainda é possível. Em grande parte, a resposta será dada pela evolução da economia americana. Curiosamente, estamos numa fase temporária em que "o que é bom para os EUA é ruim para o Brasil".

*Fernando Dantas é jornalista.

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