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Análise: O coronavírus contaminou o petróleo

A Petrobrás, como em outras ocasiões, deverá esperar uns dias para ver qual será o novo patamar dos preços no mercado internacional

Adriano Pires*, O Estado de S. Paulo

10 de março de 2020 | 09h12

Aos primeiros sinais do coronavírus, o mundo passou a direcionar todos os olhares para a China (país de participação substancial no consumo de derivados de petróleo). Com a evolução do surto, a preocupação com a economia da chinesa se ampliou, bem como outros os possíveis impactos nos demais países da Ásia, e nos mercados de quase todos os países do mundo. A epidemia, que está causando grande agitação nos mercados, acabou contaminando o mercado de petróleo.

Os preços do petróleo, junto com os preços de seus produtos derivados, que já vinham em tendência de queda, estão experimentando reduções históricas nesta segunda-feira, 9. O preço dos contratos futuros do barril de petróleo Brent teve queda próxima a 30%. Os preços estão a caminho de seu maior declínio diário desde 17 de janeiro de 1991, no início da primeira Guerra do Golfo.

Essa movimentação deve-se à retaliação da Arábia Saudita à Rússia. Preocupados, os países membros da OPEP realizaram reunião de emergência para avaliar a necessidade de um novo corte de oferta junto com países aliados, dentre os quais a Rússia, que há cerca de quatro anos estão compondo o agrupamento OPEP+. O grupo já vinha realizando cortes de produção com a finalidade equilibrar a oferta global e manter a estabilidade do preço da commodity, frente à expressiva produção norte-americana.

Agora, a reunião de emergência teve intenção de aprofundar os cortes de produção com a finalidade estabilizar os mercados atingidos pela apreensão com o impacto econômico do coronavírus. No entanto, a Rússia, o terceiro maior produtor mundial de petróleo, se recusou a participar do novo acordo. Em resposta à recusa russa, a Arábia Saudita, além de reduzir seus preços de venda oficiais, resolveu ampliar a produção no próximo mês, dando início à uma guerra de preços.

A permanência do conflito certamente impactará nos preços internacionais dos combustíveis. Um conflito entre grandes países produtores de petróleo afeta o preço rapidamente, por conta de especulações geradas pelo risco de redução/aumento da oferta e, consequentes, variações bruscas dos estoques dos combustíveis derivados do petróleo.

No Brasil, a Petrobrás, como em outras ocasiões, deverá esperar uns dias para ver qual será o novo patamar dos preços no mercado internacional. Diante desse novo patamar a empresa deverá reajustar os preços dos combustíveis. Outra alternativa, seria o governo elevar a CIDE e manter a competitividade dos biocmbustíveis. A Cide foi criada para ser utilizada exatamente nos momentos de barril e inflação baixas.

* Diretor do CBIE

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