ANÁLISE-O próximo presidente dos EUA vai herdar uma recessão?

Sob a sombra de uma possívelrecessão, investidores e economistas tentam descobrir como ostrês candidatos remanescentes à presidência dos Estados Unidospoderiam enfrentar a desaceleração econômica em caso de vitóriana eleição de novembro. Se a economia norte-americana continuar em declínio, issopode se traduzir em uma série de mudanças significativas napolítica econômica a partir de janeiro, quando começa o mandatodo republicano John McCain ou dos democratas Hillary Clinton ouBarack Obama. Hillary manteve viva sua candidatura na terça-feira, aoobter vitórias-chave no Texas e em Ohio. No mesmo dia, McCainarrebatou a indicação republicana. Não importa quem vença em novembro, o comércio deve estarperto do topo na agenda econômica, e o déficit federalprovavelmente irá às alturas, pelo menos até que a economia serecupere da crise imobiliária, do aperto nos padrões de créditoe do aumento dos preços de energia e alimentos. Assuntos tratados com viés populista pelos democratas, comoculpar o comércio global pelos problemas dos trabalhadores,fizeram Wall Street --apaixonado pelo livre comércio-- erguersobrancelhas. Eles também têm explorado o descontentamento da classemédia, e isso pode definir o tom da política --particularmentese Obama ou Hillary forem bem-sucedidos e entrarem na CasaBranca com o apoio de um Congresso de maioria democrata. Uma vitória de McCain seria mais complicada, já que eleteria que negociar com um Congresso controlado pela oposição.Ainda assim, os parlamentares mostraram recentemente que podemcooperar com uma Casa Branca republicana em meio a uma criseeconômica, como foi provado pela rápida aprovação de um planode estímulo de 168 bilhões de dólares no mês passado. "A questão principal é como a economia estará a partir dejaneiro", disse Andrew Bernard, professor de economiainternacional da Tuck School of Business, da Universidade deDarmouth. Se a economia norte-americana cair em recessão --comoalguns economistas acreditam que já esteja ocorrendo--,provavelmente seria fortalecido o discurso daqueles que culpamo comércio global pela estagnação da renda dos trabalhadores epelo fechamento de empregos na indústria. Muitos na comunidade financeira têm uma visão diferente.Com Hillary e Obama trocando farpas sobre quem é mais severocom o comércio, há a preocupação de que um governo democratadesencoraje o fluxo de dinheiro e produtos transfronteiriço queajudou a enriquecer as empresas norte-americanas eestrangeiras. "Espero que muito disso (discurso sobre comércio) sejaretórica, mas eu acho que há questões econômicas importantesque, se deixadas de lado, vão emergir na forma de um sentimentoprotecionista e antiimigratório", disse Bernard. ANSIEDADE ECONÔMICA O que está em discussão é o sentimento de ansiedadeeconômica que aflige particularmente as famílias de classemédia, cuja renda ficou essencialmente estável na maior parteda década, disse William Galston, da consultoria BrookingsInstitution, de Washington. "Há fatores econômicos subjacentes que estão levando odebate (sobre comércio) nessa direção", disse. "Desde queGeorge W. Bush assumiu, os Estados Unidos perderam 20 por centodos empregos na indústria. Qualquer explicação econômica quevocê queira dar... cria uma dinâmica política que torna quaseimpossível a continuação da atividade de modo normal." Na campanha antes da disputa de terça-feira, Obama eHillary prometeram renegociar o criticado Nafta (acordo delivre comércio com Canadá e México) para acrescentar proteçõesambientais e trabalhistas. Galston disse que, se Obama ou Hillary vencerem emnovembro, eles provavelmente tentarão uma pausa nas negociaçõescomerciais enquanto trabalham com o Congresso para aumentar osbenefícios aos trabalhadores afetados pela globalização. Opróximo passo seria provavelmente uma pressão por mais gastosem infra-estrutura, o que seria popular em estados e municípiossem dinheiro mas poderia inflacionar o déficit federal.McCain declarou que apóia o livre comércio e não vai renegociaro acordo comercial com o Canadá e o México, dizendo que essamedida abalaria as relações entre Estados Unidos e Canadá eafetaria a unidade para lutar contra o terrorismointernacional. Uma administração de McCain provavelmente pressionaria pelarenovação dos cortes de impostos aprovados pelo governo Bush--algo que recebe a oposição de Obama e Hillary. Mas Galstondisse que McCain também reconhece que uma boa parte do paísestá em dificuldades, e ele pode estar aberto a outras idéiascom o objetivo de dar mais segurança econômica à classe média.

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