Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Análise: O que esperar do varejo brasileiro em 2021

A recuperação, que já não vinha ocorrendo na mesma proporção entre os segmentos, começa a dar sinais de perda de força

Rodolpho Tobler*, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2021 | 17h06

O varejo brasileiro encerrou 2020 com crescimento em relação ao ano anterior, como foi divulgado pelo IBGE. Mas o que esperar para o setor do comércio nos próximos meses? Apesar do resultado acumulado do ano ser positivo, ou não tão negativo no caso do varejo ampliado, o dado de dezembro já liga o sinal amarelo para a virada do ano. A recuperação, que já não vinha ocorrendo na mesma proporção em todos os segmentos, começa a dar fortes sinais de perda de força.

A expectativa para a primeira metade do ano não é muito positiva. O primeiro ponto é o encerramento do auxílio emergencial que vinha sendo feito pelo Governo Federal até o final de dezembro. Revendedores de material para construção e móveis e eletrodomésticos, por exemplo, conseguiram se destacar com o aumento de renda que o programa proporcionou.

Outro ponto que adiciona ainda mais incerteza nessa virada do ano é a piora nos números da pandemia, o que torna os consumidores ainda mais cautelosos, principalmente porque esse fator contribui para tornar mais lenta a recuperação do mercado de trabalho. Além desses fatores, também é importante considerar a inflação dos alimentos, que vem pressionando o orçamento das famílias nos últimos meses.

Todos esses fatores negativos mostram que a retomada do setor deve perder ritmo no início de 2021. Ao longo do ano, quando os efeitos da vacinação forem sendo observados, vai ser possível imaginar uma recuperação mais consistente do varejo brasileiro. A redução de números de contaminação e mortes por covid-19 são fundamentais para a maior circulação de pessoas e também para a recuperação do mercado de trabalho, principalmente nos setores impactados diretamente pela pandemia.

Por fim, o cenário para o início de 2021 é mais desafiador do que previsto inicialmente, mas com o passar dos meses, e com boas notícias sobre vacinação, podemos voltar a viver momentos com menos incertezas.

*COORDENADOR DA SONDAGEM DO COMÉRCIO DO INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (IBRE/FGV)

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