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ANÁLISE-Ofertas de ações voltarão com investidor mais seletivo

Diversas empresas brasileiras adiaramou desistiram de vender ações neste início de ano, devido àvolatilidade nos mercados financeiros globais, masespecialistas apostam na retomada das ofertas na Bolsa deValores de São Paulo (Bovespa) a partir do segundo trimestre. Das mais de 30 operações em análise na Comissão de ValoresMobiliários (CVM), cerca de metade está parada. E algumascompanhias já abriram mão da oferta de ações. "Caso haja uma normalização do cenário internacional,principalmente da economia norte-americana, acho que a genteterá um meio de ano forte e um segundo semestre muito forte (deofertas de ações)", afirmou o sócio da KPMG Alan Riddell, daárea de Corporate Finance. Na visão de Riddell, o mercado de capitais continuaráaberto a bons negócios, "de uma forma bem mais seletiva". Em 2007, a venda de ações no mercado brasileiro cresceupara mais de 70 bilhões de reais, quase 2,5 vezes o volumefinanceiro registrado em 2006. A maioria no mercado duvida deum desempenho em 2008 semelhante ao do último ano. Do início de janeiro até agora, houve apenas uma oferta deações na Bovespa. A Nutriplant captou 20,7 milhões de reais. Nomesmo intervalo do ano passado, a venda de ações na bolsapaulista movimentou cerca de 7 bilhões de reais. "As companhias podem adiar a captação, mas elas têm umplano de negócios que precisam cumprir", comentou o diretor deauditoria da BDO Trevisan, Henrique Campos. O medo de uma recessão nos Estados Unidos, em meio à crisenos setores imobiliário e de crédito, motivou a fuga deinvestidores de ativos mais arriscados, como ações, em janeiro.Embora as bolsas de valores tenham se recuperado este mês,ainda é cedo para afirmar que o pior da crise norte-americanajá passou, segundo analistas. Uma fonte que atua na preparação de ofertas de ações nopaís concorda com a avaliação de que o mercado de capitaisnacional deve ficar mais aquecido a partir de abril. Porém,apenas operações de grande porte devem sair do papel, "aquelasacima de 500 milhões de dólares de empresas consolidadas ou quejá estejam na bolsa". Uma grande emissão secundária, a da Redecard, corre o riscode não sair, segundo a mesma fonte. Dos três maiores sócios daempresa, Itaú e Unibanco já manifestaram que irão aderir àoferta apenas em condições melhores do mercado. O Citigroup--que completa o grupo de controle da Redecard-- quer venderuma fatia no ativo brasileiro para cobrir prejuízos comhipotecas nos EUA. "O Citigroup teria que arcar sozinho com todo o custo daoferta, talvez não seria vantajoso", disse a fonte, lembrandoque as ações da Redecard estão sendo negociadas abaixo do preçoda Oferta Pública Inicial, realizada em julho passado. CALENDÁRIO FINANCEIRO O calendário do mercado financeiro dos EUA e da Europa,onde estão muitos dos compradores de ações brasileiras, impõedesafios às empresas que estão com o plano de emissão embanho-maria. "Existe o ano financeiro que termina em junho no HemisférioNorte. Julho é mês de férias por lá. Em agosto começam novasanálises de investimento, aí é outra história", comentouCampos, da BDO Trevisan. "Você consegue adiar uma oferta de ações do primeiro para osegundo trimestre. Se passar disso, você vai ter que fazer umnovo projeto de emissão de ações." A Abyara Planejamento Imobiliário foi a mais recente acancelar o registro de pedido de oferta de ações na Bovespa, nasemana passada. A empresa informou que os empréstimos são amelhor fonte para aproveitar as oportunidades de crescimentopreservando o valor dos acionistas. "Se você faz uma nova emissão aos preços atuais, que estãodepreciados, você está diluindo os acionistas atuais... Então,a empresa tem a escolha de esperar uma recuperação dos preçosda ação", observou Riddell, da KPMG. "O que anima bastante a gente é que a saída de recursosestrangeiros (do Brasil) se deve muito mais a uma cobertura deposições no exterior do que a uma desconfiança na qualidade dosativos brasileiros... É uma situação bem diferente do que aexperimentada no passado", completou.

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