ANÁLISE: PERDA DO GRAU DE INVESTIMENTO PODE ESTAR PRÓXIMA

Para analistas, o rebaixamento da nota de risco de crédito do Brasil já era esperado, mas uma nova revisão pode ocorrer nos próximos meses

Álvaro Campos, Flávio Leonel, Maria Regina Silva, Mário Braga e Ricardo Leopoldo, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 18h47

A agência de classificação de risco Moody's anunciou o rebaixamento da nota de risco de crédito do Brasil para Baa3, apenas um nível acima do grau especulativo. Para analistas, a decisão já era esperada, mas isso não significa que o País está fora de perigo. Pelo contrário: a perda de grau de investimento pode estar próxima. Confira as análises:

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Barclays: Moody's deve rebaixar rating do Brasil em 2017

O Barclays avalia que o Brasil tem poucas chances de cumprir as condições necessárias para evitar mais um rebaixamento do seu rating por parte da agência de classificação de risco Moody's. O cenário traçado pelo banco britânico é de que a perspectiva da nota passará de estável para negativa no primeiro trimestre de 2016 e "o consequente downgrade poderia vir no começo do primeiro trimestre de 2017", diz o relatório assinado pelo economista para Brasil do Barclays em Nova York, Bruno Rovai. </p>

Mário Braga, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 20h00

Para o especialista, é improvável que haja uma mudança significativa na coordenação do governo junto ao Congresso. "Não vemos as condições necessárias para uma melhora na relação entre o Executivo e o Legislativo, e a falta de popularidade da presidente e a operação Lava Jato só fazem dificultar essa possibilidade", escreve Rovai.

O economista pondera, no entanto, que o risco de o Brasil perder o grau de investimento por duas agências de classificação de risco é menor agora é do que era há duas semanas, a não ser que um se materialize "um cenário extremo nos fronts político e econômico", que afete as contas públicos ou o ambiente político de maneira negativa, exemplifica. 

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País tem seis meses para evitar perda do grau de investimento, diz Gustavo Loyola

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola afirmou que, apesar do já esperado rebaixamento do rating do Brasil, especialmente devido à redução da meta de superávit primário para este ano e os próximos anos, a perspectiva estável da nota soberana "dá mais ou menos seis meses" para o País evitar a perda do grau de investimento perante esta agência internacional.</p>

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 18h44

"Hoje a probabilidade está dividida em 50% para que o governo consiga manter ou não evitar a perda do grau de investimento no ano que vem", disse Loyola.

"Se melhorar a ação do Poder Executivo junto ao Legislativo, com a aprovação de medidas para reforçar as contas públicas, junto com o cenário mais favorável de crescimento do PIB, isso será muito importante para um desfecho favorável", disse ele.

Na avaliação de Loyola, os mercados devem ter uma pequena repercussão em relação à decisão da Moody's. "Pode ocorrer alguma volatilidade em dólar ou em bolsa, mas logo passará, pois ativos financeiros já vinham precificando a redução da nota soberana do Brasil", afirmou.

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Camargo Rosa: governo tem de sinalizar que consegue controlar a dívida até 2018

<span style="line-height:1.6">SÃO PAULO - Dada a avaliação da Moody's de que a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) deve seguir avançando até atingir 70% em 2018, o governo brasileiro precisa sinalizar ser capaz de manter o esforço fiscal para controlar o endividamento nos próximos anos. A avaliação é do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa. "A perspectiva traçada pela Moody's acende a luz amarela no painel. É muito fácil perder o controle e fazer com que a dívida supere os 70% do PIB de maneira rápida", comentou.</span></p>

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 19h27

Segundo o economista, o governo também precisa pensar em reformas que lhe permitam ter mais "maleabilidade na condução da política fiscal". "É preciso um esforço fiscal para estabilizar a dívida e demonstrar que com a retomada do crescimento de forma mais significativa, a partir de 2018, a relação com o PIB entrará em trajetória de queda ou apontar para uma política de sustentabilidade", afirmou. Camargo Rosa destaca que até lá, o cenário de crescimento baixo e inflação alta impede a entrega de esforços fiscais mais fortes pelo governo.

Questionado, o economista-chefe da SulAmerica Investimentos classificou como "positiva" a reação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ao rebaixamento do rating. Levy afirmou que a declaração da Moody's "dá indicação das prioridades que a gente tem que ter em relação a manter a qualidade da nossa dívida pública".

Sobre o atual momento, Camargo Rosa afirmou que o País ganha pelo menos mais seis meses para manter o grau de investimento. "O governo parece que está começando a retomar a governabilidade e a superar a crise, afastando o fantasma do impeachment", disse. "Assim, ganha-se tranquilidade para prosseguir com o ajuste econômico", estimou. Ele avalia ser necessário, agora, recuperar a confiança dos agentes econômicos.

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Perda de grau de investimento virá, diz Castello Branco

A decisão da agência de classificação de risco Moody's de rebaixar a nota de crédito do Brasil para Baa3 já era esperada pelo economista-chefe da Saga Capital, Marcelo Castello Branco. Segundo ele, o anúncio dá "sobrevida" para que o País continue com as políticas de ajuste que estão sendo implementadas. No entanto, acredita que a perda do grau de investimento é "inexorável".</p>

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 18h55

Segundo Castello Branco, a relevância da notícia é que o anúncio da Moody's de ter revisado a perspectiva para "estável", de "negativa", dá tempo para que, se houver perda do rating, ele aconteça mais à frente. "Como a perspectiva foi revisada para estável, entre seis e 12 meses pode ter um corte", analisou.

Na visão do economista, a decisão causou piora nos mercados, em um primeiro momento. Na sequência, disse, como a perspectiva foi alterada para "estável", os mercados parecem ter dado mais importância à essa informação. "Deram mais relevância ao fato de o "outlook" ter ficado estável do que para o rebaixamento", disse.

Se a agência tivesse anunciado a perda de investimento do Brasil, Castello Branco disse que o prêmio de risco e o dólar ficariam ainda mais pressionados, tornando ainda mais difícil a promessa do governo de cumprir as metas fiscal e para a inflação. "Neste sentido, dá uma sobrevida. Dá algum alento ao câmbio", estimou.

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Brasil não está fora de perigo, diz Serrano

A decisão da Moody's de revistar para estável o rating do Brasil é positiva, na visão do economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano. Entretanto, isso não significa que o Brasil está fora de perigo.</p>

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 18h59

"A notícia é relativamente positiva, dadas as expectativas que se criaram. O rebaixamento já era antecipado em função da deterioração recente do quadro econômico. A perspectiva estável significa que há pouca chance de alteração da nota no curto prazo", comenta. Ele aponta que a Moody's já incorpora uma trajetória negativa para a relação dívida/PIB até o fim do atual mandato da presidente Dilma Rousseff.

Mesmo assim, a perspectiva estável não significa que não há riscos para o rating brasileiro. Para Serrano, é preciso avançar com medidas estruturantes e também para atenuar a crise política. A recente reaproximação entre o governo e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), é um passo nesse caminho, segundo o economista. "É preciso reduzir o nível de incertezas na economia e aumentar a capacidade de crescimento. Precisamos quebrar o ciclo de confiança muito baixo que se instalou entre os agentes econômicos", aponta.

Serrano afirma que a precificação, na estrutura a termo da curva de juros, de uma alta de 0,25 ponto porcentual na Selic, que estava em torno de 50%, deve diminuir. Já o dólar poderia recuar para algo perto de R$ 3,40, mas a crise política interfere. "Eu esperaria alguma correção no câmbio, mas o cenário político é bastante incerto e parte disso continua nos preços dos ativos".

O economista do Besi aponta ainda que, com o rebaixamento, a Moody's se alinhou com a nota da Standard & Poor's e o mesmo deve ocorrer com a Fitch, que agora é a única cuja nota ainda está dois graus acima do nível especulativo. 

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Moody's dá alerta, mas rating ainda é favorável, diz Leão

<span style="line-height:1.6">SÃO PAULO - A decisão da agência de classificação de risco Moody's, de rebaixar o rating de crédito do Brasil, de Baa3, de Baa2, pode ser avaliada com um alerta, mas é importante lembrar que o rating do País ainda é favorável, já que continua no grau de investimento e a perspectiva é estável. A análise é do economista-chefe da Parallaxis Consultoria, Rafael Leão, que, em entrevista ao Broadcast, disse que o procedimento já era aguardado. "Aparentemente, o movimento busca se harmonizar com as demais agencias de avaliação. Era esperado, acho que estava na conta", comentou.</span></p>

Flavio Leonel, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 18h57

Na avaliação de Leão, a decisão da Moody's não deixa de ser um "contrassenso", já que, segundo ele, esses rebaixamentos vêm para sinalizar que o governo deve tomar providências e mudar de postura. "Para mim, soa estranho, porque, sensivelmente, a condução fiscal já entrou numa rota diferente da administração anterior", opinou. "No caso brasileiro, o governo tem tentado entregar um ajuste. Porém, o ciclo de atividade econômica tem prejudicado fortemente as receitas", destacou.

Questionado se o momento atual da crise política também não teria atrapalhado o País na análise da Moody's, o economista-chefe da Parallaxis Consultoria respondeu que sim. Salientou, entretanto, que isso não seria um motivo para uma classificação ainda pior no rating.

"Sem dúvida, atrapalha, mas acho exagero se vierem a retirar o grau de investimento. Por fim, essa alteração da Moody's é um alerta, mas está ok", disse Leão. "O governo esta fazendo os ajustes. O grande problema é que parte dele é extremamente recessivo, o que prejudica o crescimento e por fim, fecha-se o ciclo, deteriorando as contas do governo por conta da menor arrecadação", explicou. 

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