ANÁLISE-PIB forte de 2007 entusiasma e preocupa economistas

A forte expansão do Produto InternoBruto (PIB) brasileiro em 2007 trouxe ao mesmo tempo otimismo epreocupação. Por um lado, o maior crescimento dos investimentosdesde 1996 sugere que a economia continuará aquecida no médioprazo; por outro, o elevado nível de consumo inspira temor depressão inflacionária no curto prazo. Segundo economistas ouvidos pela Reuters, o desempenhoamplia as chances de a economia brasileira evoluir em 2008 maisdo que 4,5 por cento, a previsão média do mercado. Para essesprofissionais, esse é o PIB potencial, ponto até o qual aeconomia pode crescer sem criar perigo de descontrole dainflação. Essa combinação permite traçar um cenário mais animadorpara 2009 do que para este ano. Isso porque o aumento de 13,4dos investimentos em 2007 só se converterá em elevação dochamado PIB potencial a partir do final deste ano. "Há uma defasagem entre consumo e investimentos. O primeirojá aconteceu, enquanto o outro ainda leva algum tempo para setransformar em capacidade efetiva" disse Roberto Padovani,economista-chefe do banco WestLB no Brasil. Para Fábio Knijnik, estrategista do BES Investimento, "nomédio prazo, tem que observar se o consumo continua crescendomais rápido do que a capacidade instalada da indústria, o quepode gerar pressões inflacionárias". O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)anunciou nesta quarta-feira que o PIB cresceu 5,4 por cento em2007, frente aos 5,3 por cento previstos por economistasouvidos pela Reuters. O IBGE informou que, no ano, o consumo das famílias teveexpansão de 6,5 por cento. Apenas no quarto trimestre, ocrescimento foi de 8,6 por cento, maior alta trimestral frenteao mesmo período do ano anterior desde o final de 1996, segundoo departamento de pesquisa econômica do Bradesco. A avaliação dos economistas é contrária à feita peloministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar os dados doIBGE. "Estamos derrubando alguns mitos", afirmou, ao comentar atese de limite ao crescimento imposto pelo PIB potencial."Estamos tendo crescimento com inflação estabilizada",acrescentou. (Edição de Alexandre Caverni)

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