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ANÁLISE-Placar do Copom fortalece previsão de cortes menores

Parte do mercado já antecipava e oplacar apertado da decisão do Comitê de Política Monetária(Copom) corroborou: os próximos cortes do juro brasileiroocorrerão em ritmo menor, de 0,25 ponto percentual. Segundo analistas, a aceleração da inflação corrente e docrescimento econômico, o ajuste ligeiramente para cima nasprevisões para o IPCA deste ano e a alta internacional dopetróleo são os fatores que embasam a decisão prevista para areunião de 4 e 5 de setembro. Na quarta-feira, o Copom cortou a Selic em 0,50 ponto pelosegundo mês seguido, para 11,50 por cento ao ano, mas três dossete membros votaram por uma redução de 0,25 ponto. Na reuniãoanterior, o placar havia sido de 5 votos a 2. "A decisão foi mais apertada e nos leva a esperar umpossível corte de 0,25 ponto na próxima reunião e também nasreuniões seguintes, em outubro e dezembro", afirmou SandraUtsumi, economista-chefe do Bes Investimento. Fatores pontuais aceleraram a inflação em junho, fazendocom que alguns economistas elevassem as previsões para o ano,mas para taxas ainda abaixo do centro da meta. Isso fez com queuma boa parte do mercado já começasse a prever que julho seriao último mês de corte da Selic em 0,50 ponto. "A probabilidade agora da volta ao ritmo de 0,25 ponto ésuperior à manutenção dos cortes de 0,50 ponto", avaliouAlexandre Póvoa, economista-chefe da Modal Asset Management. "A recente piora do balanço de riscos entre uma inflaçãocrescente e atividade em aceleração deve ter afetado a decisãodo Copom (placar dividido), mesmo com o real tendo sevalorizado no período." POLÊMICA COM META DE INFLAÇãO Póvoa lembrou ainda que a polêmica em torno do centro dameta de inflação de 2009 --mantida em 4,5 por cento, mas com ocomentário de que o Banco Central pode perseguir 4 por cento--é mais uma preocupação para a autoridade monetária. "Pode ser que o BC esteja preocupado com uma potencialcontaminação das expectativas, não só por conta dos dadosrecentes mais fortes de inflação e atividade, como também portoda a polêmica criada em torno da meta de inflação de 2009." Para o diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, oplacar mais dividido deste mês "trouxe para o mercado aconfiança que (o BC) precisaria resgatar" depois dos ruídos coma divulgação da meta de 2009. O mercado ainda aguarda os dados econômicos previstos atésetembro, mas as perspectivas são de um arrefecimento apenasleve da inflação e, principalmente, de continuidade docrescimento econômico. Com isso, a visão dos economistas nãodeve se alterar. "Os argumentos (para um corte menor do juro) se concentramno comportamento da demanda e seu potencial impacto sobre ospreços --o que exige do BC uma postura mais conservadora, dadoque estaríamos nos aproximando de uma zona de maior risco",apontou a Tendências Consultoria em relatório. (Colaborou Juliana Siqueira)

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