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ANÁLISE: Pnad mostra que 2015 será o ano de desemprego e do ajuste

Para professor da USP, a alta do desemprego era esperada, após a deterioração da economia nos últimos anos que culminou com a retirada dos estímulos ao consumo

Gustavo Porto e Mário Braga, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2015 | 10h36

O professor da Universidade de São Paulo e pesquisador da Fundação de Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace/USP) Luciano Nakabashi afirmou que alta para 8% na taxa de desocupação no trimestre encerrado em abril de 2015, ante 7,1% em igual período de 2014, "mostra que esse será o ano do desemprego e do ajuste no País". 

Segundo ele, a alta no indicador apontada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua era esperada, após a deterioração da economia nos últimos anos que culminou com a retirada dos estímulos ao consumo, último pilar de sustentação da taxa baixa de desemprego.

"Este ano o desemprego vai aumentar, o que de certa forma é uma maneira de segurar inflação. O custo social é alto, ruim, mas faz parte do ciclo econômico", afirmou o professor. "Até a economia começar a mostrar sinal de melhora, o que deve ocorrer no ano que vem, o ciclo é de alta", afirmou o professor sem fazer estimativas sobre o avanço numérico na taxa de desocupação.

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Este ano o desemprego vai aumentar, o que de certa forma é uma maneira de segurar inflação - Luciano Nakabashi, professor da USP e pesquisador da Fundace
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Segundo Nakabashi, além das demissões, a volta da procura por emprego por pessoas que deixaram de buscar trabalho até o ano passado deve contribuir para o aumento na taxa de desocupação. "Com as demissões, outros membros das famílias dos recém-desempregados, que não estavam procurando emprego, agora passam a procurar em busca da renda. Essa volta das pessoas à força de trabalho ajuda a aumentar o índice de desocupação", concluiu. 

A alta do desemprego no trimestre encerrado em abril na margem é a primeira observada na série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua. Apesar de o aumento ter sido de apenas 0,1 ponto porcentual no trimestre até abril ante os três meses imediatamente anteriores, esta é a primeira vez que a pesquisa não registra um recuo da desocupação nesta base comparativa desde o início da série em 2012. A observação foi feita pelo economista da RC Consultores, Marcel Caparoz, ao comentar os resultados divulgados há pouco pelo IBGE. Segundo a PNAD Contínua, o desemprego médio no País ficou em 8% entre fevereiro e abril de 2015. "Mesmo que a magnitude de alta não seja tão forte (apenas 0,1 pp), é um comportamento distinto e reflete o momento estrutural da economia brasileira", disse Caparoz.

O nível atual do desemprego atingido entre fevereiro e abril revela que o mercado de trabalho voltou a níveis do primeiro trimestre de 2013, última vez que a taxa medida pela Pnad Contínua havia ficado em 8%. "O melhor momento do mercado de trabalho já passou e foi no ano passado", observa o especialista. 

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Se tudo tivesse ocorrido normalmente, a renda real média devia estar na casa de R$ 1.880 ou R$ 1.890 - Marcel Caparoz, economista da RC Consultores
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Queda da renda. Outro ponto destacado por Caparoz se refere à queda da renda dos trabalhadores na margem. Ele destaca que nas comparações interanuais, até 2015, o rendimento médio real dos trabalhadores sempre havia registrado acréscimos no trimestre encerrado em abril. Avançou de R$ 1.769 em 2012 para R$ 1.801 em 2013, R$ 1.862 no ano passado. Em 2015, recuou para R$ 1.855 (-0,4%). "Se tudo tivesse ocorrido normalmente, a renda real média devia estar na casa de R$ 1.880 ou R$ 1.890", estimou. 

O economista da RC Consultores ressalta que, apesar da retração da renda média real, a massa de renda real avançou 0,4% no período, devido ao aumento da taxa de ocupação, que cresceu 0,7% no trimestre encerrado em abril ante igual período de 2014. "Apesar desse crescimento, observamos uma desaceleração, e a tendência é entrar no negativo, afetando ainda mais a 'performance' da indústria e do comércio, que já está ruim", pontuou.

Questionado se o avanço menos intenso do desemprego na Pnad Contínua na comparação com a Pesquisa Mensal do Emprego (PME), também do IBGE, reflete situações distintas do mercado de trabalho nas capitais e no interior do País, Caparoz afirmou que este movimento está ligado à natureza distinta das economias de grandes metrópoles e das cidades de médio porte. "Algumas regiões não dependem tanto da indústria como as grandes cidades e estão mais ligadas ao comércio e ao agronegócio, o que movimenta a economia e gera emprego no interior", afirmou. Diferentemente da PME, a Pnad não coleta dados apenas das principais regiões metropolitanas brasileiras. 

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