Gabriela Biló/Estadão
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Análise: Por que a economia brasileira cresce tão pouco?

Mesmo com aprovação de reformas consideradas fundamentais, falta confiança aos empresários para investir, e clima de tensão entre Bolsonaro e o Congresso não ajuda nesse quadro

Alexandre Calais, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2020 | 10h09

Pelo segundo ano seguido, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) frustrou as expectativas que o pessoal do mercado financeiro tinha em janeiro. No início de 2019, esperava-se algo como 2,5%, e o número final acabou ficando em 1,1%. O mesmo já tinha ocorrido, com dados razoavelmente parecidos, em 2018. Mas, afinal, por que a economia brasileira tem encontrado tanta dificuldade em achar um rumo de crescimento mais forte?

Não é obviamente, uma pergunta que tenha uma resposta fácil. O que ouvimos com bastante frequência é que são necessárias reformas. Mas uma boa parte delas já foi aprovada e está em vigor. A trabalhista, por exemplo, foi aprovada no governo de Michel Temer e já vale desde o final de 2017. A reforma previdenciária, apontada por quase todos os analistas como a mais importante de todas, também já está valendo.

Além dessas, algumas outras reformas consideradas fundamentais para uma mudança de patamar na economia brasileira também já entraram em vigor. Uma delas é a mudança da TJLP (uma taxa de juros subsidiada) pela TLP (sem subsídios) nos financiamentos do BNDES. Isso tem provocado uma grande revolução no mercado de crédito, com as empresas recorrendo cada vez mais a financiamentos privados - como acontece em todas as grandes economias capitalistas. 

O teto de gastos, impedindo que as despesas do governo cresçam acima da inflação, é outra medida considerada pelos analistas como fundamental nessa tentativa de recuperar a confiança na economia - embora esteja sempre sob ataque no parlamento.

Nada disso, no entanto, tem sido suficiente para a retomada dos investimentos, o passo fundamental para que o País cresça e consiga atacar seus maiores problemas, como o nível altíssimo de desemprego - que atingiu recordes por conta da recessão de 2014-2016 e ainda está longe de voltar a um patamar 'civilizado'.

Seria preciso mais reformas? A mudança na legislação tributária teria o efeito mágico de fazer com que a confiança dos empresários finalmente fosse retomada? Difícil dizer. Provavelmente, não.

É preciso avançar em outros pontos. O País precisa amadurecer do ponto de vista político, por exemplo. Desde a eleição de Dilma Rousseff, no final de 2010, há no Brasil uma polarização gigantesca, que chegou a extremos com o próprio impeachment de Dilma. Esperava-se que a eleição de 2018 pusesse um fim nisso, mas esse cenário não poderia estar mais equivocado.

A eleição de Bolsonaro parece ter agravado esse quadro ainda mais. Há hoje uma tensão entre os poderes da República como poucas vezes se viu. O diálogo entre o Executivo e o Legislativo não poderia ser pior. O que se pode esperar de bom para a economia num quadro como esse? 

Qualquer reforma tem muita dificuldade de tramitar. E o presidente Bolsonaro parece pouco estar ligando para isso. Parece estar apenas preocupado em agradar a seus seguidores e manter acesa uma polarização que o leve para um segundo turno na disputa presidencial de 2022. Estaremos condenados mesmo a crescer apenas 1% ao ano por tanto tempo?

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