ANÁLISE-Prévia de construtoras afasta receio de queda nas vendas

Na reta final de 2010, construtoras e incorporadoras tiraram vantagem da sazonalidade do setor para contrariar o esperado pelo mercado e mostrar que cumpriram as metas operacionais a que se propuseram.

VIVIAN PEREIRA, REUTERS

18 de janeiro de 2011 | 17h23

Mas, ainda que tenham afastado o receio de especialistas do setor, os números apresentados, salvo algumas exceções, ficaram bem próximos do ponto mais baixo das estimativas traçadas.

Na disputa do topo do setor com a líder PDG Realty, a Cyrela Brazil Realty é apontada com unanimidade por analistas como o principal destaque.

"A Cyrela é um caso à parte. Até o terceiro trimestre, (a empresa) se mostrou muito aquém das outras", diz o analista Armando Halfeld, da Ativa. "A empresa vinha sofrendo muito, mas mostrou capacidade de lançar e vender."

A Cyrela acelerou as vendas nas duas últimas semanas de 2010 e conseguiu atingir o piso de sua meta para o ano, que era de 6,2 bilhões a 6,9 bilhões de reais.

Diante do ceticismo do mercado quanto ao cumprimento da meta, a empresa divulgou uma parcial do ano e do quarto trimestre em 14 de dezembro passado, quando apresentou vendas de 5,3 bilhões de reais até a véspera.

Os números indicam, portanto, que a Cyrela vendeu ao redor de 900 milhões de reais entre 14 e 31 de dezembro de 2010.

Para Halfeld, o fato de a Cyrela ter "batido o 'guidance' já é algo positivo". "Tradicionalmente, o quarto trimestre é mais forte e, para algumas é mais ainda, como a Cyrela."

Quanto a lançamentos, a Cyrela apurou 7,6 bilhões de reais no acumulado do ano passado, sendo 4,5 bilhões de reais apenas de outubro a dezembro. Com isso, o volume de lançamentos ficou perto do ponto máximo da estimativa da companhia, de 6,9 bilhões a 7,7 bilhões de reais no ano.

Para 2011, a Cyrela estima lançar entre 8,3 bilhões e 9,1 bilhões de reais, e vender de 7,6 bilhões a 8,4 bilhões de reais.

Apesar dos números robustos, o analista Eduardo Silveira, da Fator Corretora, observa que o segmento de baixa renda --representado pela Living-- respondeu por apenas 28 por cento dos lançamentos da Cyrela em 2010.

"Precisamos entender qual a tendência de participação do segmento econômico no futuro", afirma, acrescentando que "a Cyrela encontrou dificuldades para atuar no mercado de baixa renda por não ter tanta experiência neste mercado e sofreu com pressão de custos e queda de margens".

PDG MANTÉM LIDERANÇA

Embora a Cyrela tenha lançado mais em 2010, a PDG se manteve na liderança do setor em termos de vendas. Em todo o ano passado, a construtora e incorporadora --que adquiriu as operações da Agre em maio passado-- vendeu 6,5 bilhões de reais.

Já os lançamentos atingiram o ponto-médio da meta traçada para o ano, que era de 6,5 bilhões a 7,5 bilhões de reais, ficando em 7 bilhões de reais.

"Em linhas gerais, os números do setor foram positivos. Todas (empresas) bateram o 'guidance' para o ano, afastando o receio de retração das vendas", afirma Halfeld, da Ativa.

Diante deste cenário, ele acredita haver espaço para metas mais elevadas ao longo de 2011. "O cenário para este ano é de fortes lançamentos, até porque a demanda é alta", acrescenta.

Com exceção da Brookfield Incorporações, que vendeu 3,6 bilhões de reais e lançou 3 bilhões no ano passado, as demais companhias do setor que integram o Ibovespa --exceto a Gafisa que não divulga prévia operacional-- lançaram mais do que venderam em 2010.

Essa tendência, na análise do JPMorgan, deve se manter este ano. "Os lançamentos devem crescer mais que as vendas contratadas nos próximos trimestres, enquanto os estoques permanecerão em níveis baixos, de menos de oito meses."

MRV E ROSSI TÊM NÚMEROS RECORDES

Assim como a Cyrela, a MRV Engenharia viu suas vendas contratadas ficarem bem próximas do piso da meta anual, que era de 3,7 bilhões a 4,3 bilhões de reais. Em 2010, a empresa vendeu 3,75 bilhões de reais.

Por outro lado, o resultado da comercialização de imóveis de outubro a dezembro foi o maior para um trimestre na história da companhia, somando 1,1 bilhão de reais.

"A MRV conseguiu alcançar sólida velocidade de vendas de 32 por cento, mantendo a companhia entre as de melhor desempenho do setor", assinala o analista David Lawant, do Itaú Unibanco.

Já a Rossi Residencial registrou nível de velocidade de vendas recorde no quarto trimestre, em 28 por cento, quase o dobro do visto um ano antes.

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