ANÁLISE: Proposta de R$1 tri a caminho

Idade mínima mostra que a proposta a ser enviada por Guedes está na ponta otimista

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2019 | 21h13

O secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, foi sucinto após a reunião chamada pelo presidente Bolsonaro, com a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, para bater o martelo sobre a proposta de reforma da Previdência que será enviada ao Congresso na quarta-feira da próxima semana, dia 20.

E pelo único detalhe divulgado, analistas e investidores ouvidos por esta coluna fizeram praticamente a mesma avaliação: a de que a proposta deve resultar numa economia de R$ 1 trilhão em dez anos, como vem sendo defendida por Guedes.

Segundo Marinho, o presidente Bolsonaro aprovou uma idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, com um período de transição entre 10 e 12 anos.

"Vai ser uma proposta de reforma com economia de R$ 1 trilhão que eles vão mandar. Tudo indica isso", comentou o economista-chefe de um grande fundo de investimentos. Para esse economista, a idade mínima aprovada por Bolsonaro foi melhor do que ele esperava.

O diretor de uma grande asset management disse ter gostado do que Rogério Marinho falou aos jornalistas.

"Achei bom, pois é o que estava na reforma do governo Michel Temer", observou ele. "Se Guedes conseguiu convencer o presidente a esquecer o 57/60, ele mandou bem."

Na opinião desse executivo da grande asset management, a transição ideal seria de 10 anos, mas o prazo aprovado pelo presidente Bolsonaro não é ruim.

Para o economista-chefe de uma importante corretora, o detalhe da idade mínima mostra que a proposta a ser enviada por Guedes está na ponta otimista.

"Tem gordura para queimar no Congresso", disse ele.

Se o Congresso vai diluir ou não essa idade mínima ou quaisquer outros pontos da proposta de Guedes, o importante neste momento é que o presidente Bolsonaro endossou praticamente essa idade mínima de aposentadoria considerada muito boa pelo mercado.

Ou seja, Bolsonaro deu uma prova de respaldo ao seu ministro da Economia.

E isso indica que o resto da proposta poderá vir, de fato, com um tamanho de economia de R$ 1 trilhão em dez anos em vez de já ser encaminhado ao Congresso um projeto mais acanhado de mudança na Previdência, que poderia ser ainda mais desidratado à medida que tramitasse na Câmara dos Deputados e no Senado.

Se esse detalhe da idade mínima de aposentadoria servir de parâmetro para um possível embate entre o núcleo político do governo Bolsonaro e sua equipe econômica, então os analistas e investidores têm motivo de sobra para ficar animados até pelo menos quarta-feira que vem, caso um choque de realidade não jogar um balde de água fria no mercado. Agora, é cruzar os dedos e esperar uma proposta robusta a ser anunciada na próxima semana.

Ou pelo menos mais robusta do que a versão final do projeto de Michel Temer que esteve prestes a ser votado no Congresso. 

* Fábio Alves é jornalista do Estadão/Broadcast 

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