Gabriela Biló/Estadão
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Análise: Protesto de Salles é prenúncio de batalha para fugir de cortes em favor do Pró-Brasil

Com a missão de conseguir recursos para bancar investimentos em obras públicas, outros ministérios se tornarão alvo da tesoura do governo

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2020 | 22h14

BRASÍLIA - O alvoroço provocado pelo protesto público do Ministério do Meio Ambiente após ter recursos para ações contra desmatamento bloqueados é apenas prenúncio da batalha que vai tomar conta da Esplanada dos Ministérios nos próximos dias.

A mando do presidente Jair Bolsonaro, a equipe econômica precisa achar R$ 6,5 bilhões no Orçamento de 2020 para contemplar parlamentares e os desejos dos ministros do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, de lançar o Plano Pró-Brasil de investimentos em obras públicas, com apoio da ala militar, sob o argumento de impulsionar a retomada pós-pandemia.

Como antecipou o Estadão/Broadcast, os congressistas terão R$ 3,3 bilhões para direcionar a ações de seu interesse – um poder de fogo valioso em ano de eleições municipais. Já o MDR e a Infraestrutura terão R$ 1,6 bilhão cada.

O dinheiro precisa sair de algum lugar, já que a tese de Marinho de bancar as obras com crédito extraordinário, fora do teto de gastos (que limita o avanço das despesas à inflação), foi frustrada por não se enquadrar como despesa de combate à covid-19.

Ainda que o Ministério da Economia tenha revertido o bloqueio dos recursos do Ministério do Meio Ambiente para proteção da Amazônia e do Pantanal, outras pastas se tornarão alvo da tesoura do governo.

Em entrevista coletiva mais cedo, o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, confirmou que a área econômica está fazendo bloqueios em diversas pastas, embora não tenha especificado quem foi afetado. Na prática, a medida congela novos gastos até que a Junta de Execução Orçamentária (JEO), formada pelos ministros Paulo Guedes (Economia) e Walter Braga Netto (Casa Civil), decida quem será alvo efetivo do corte.

“O bloqueio é para estudar a realocação, é possível haver algum desbloqueio”, afirmou Funchal, após confrontado com a reclamação pública do Ministério do Meio Ambiente.

Mesmo que as próximas reações sejam menos barulhentas, outros ministros começarão a corrida para tentar salvar seu orçamento e travarão uma batalha silenciosa nos bastidores para ver quem escapa da tesoura do governo. Isso num momento já de tensão pela indefinição no programa Renda Brasil, que Bolsonaro quer lançar para substituir o Bolsa Família e ser a marca social de seu governo, mas já nasce também carente de dinheiro. A briga está só começando.

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