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ANÁLISE-Recente alta do dólar ajuda pouco a agricultura em 2007

A recente valorização do dólar frenteao real, que em tese elevaria os ganhos dos brasileiros queexportam commodities agrícolas, chegou tarde demais paraimpactar significativamente na renda do setor em 2007, disseramanalistas, observando também que a alta da moedanorte-americana ainda é pequena para elevar os lucros. Desde o início do mês, o dólar subiu cerca de 6 por cento,em meio ao nervosismo nos mercados financeiros. Nesta quarta,fechou acima de 2 reais pela primeira vez em três meses. Segundo especialistas, a produção de grãos de 2006/07 estápraticamente toda comercializada. E apenas os setores de açúcare álcool, com mais quatro meses de colheita de cana, e o decafé, que está finalizando esse trabalho, poderiam tirar algumproveito da alta do dólar. "Essa desvalorização (do real) nesse momento beneficiarelativamente pouco a agricultura em termos de receita, porquea maior parte da produção de grãos já foi comercializada, soja,milho, mesmo a safrinha (segunda safra de milho)", afirmouFábio Silveira, analista da RC Consultores, por telefone. De acordo com Silveira, a manutenção desse câmbio maisfirme pode "representar alguma coisa adicional para as culturasque são colhidas no segundo semestre". "Com ressalvas, talvezno caso do café isso possa ser mais verdade." Antes da crise de crédio iniciada nos EUA, a RC Consultoresjá previa um salto na receita agrícola brasileira para 121bilhões de reais, ante 102 bilhões em 2006, devido ao aumentoda produção e dos preços das commodities. Agora, com um dólarmais firme, Silveira prevê uma ligeira melhora no faturamento,para até 123 bilhões de dólares. POSSÍVEL 2008 MELHOR O consultor justificou que "a valorização não é tão grandee o tempo para poder desfrutar dessa valorização em 2007 tambémnão é extenso". Dados da consultoria FNP confirmam que restam apenas de 10a 15 por cento da safra de soja 06/07 a ser comercializada, ade milho praticamente toda foi vendida, e os produtores aindatêm de 30 a 40 por cento da safrinha para vender. "Mas esse pequeno percentual (a ser vendido com o preçomelhor) às vezes significa o lucro do produtor", ponderou aanalista Jacqueline Bierhals, da FNP. Ela observou ainda que, com preços dos grãos elevados, essemomento de câmbio mais firme é "uma boa hora" para realizarvendas futuras da safra 2007/08. Ela não acredita que o dólar,no entanto, suba mais, avaliando como ruim o atual patamar,mesmo com a recente valorização. Um outro analista da FNP, Fábio Turquino Barros,acrescentou que, se o dólar se mantiver nesse patamar até aépoca do plantio da safra, em outubro, pode incentivarprodutores de grãos a aumentar a semeadura, que já deverá tercrescimento em função dos preços mais altos. Ele não vê riscos de aumento de gastos significativos, casoo dólar continue a se valorizar, na medida em que a maior partedos custos com insumos estão "travados" nessa moeda. O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), CesárioRamalho, também não vê o câmbio atual, mesmo com a recentevalorização, como favorável ao setor. Para ele, ao contrário, onervosismo no mercado financeiro pode gerar incertezas. "Essavolatilidade toda é negativa", disse ele, para quem tudo indicaque a moeda não mudará de trajetória de queda anterior à alta. O analista da RC, que prevê uma renda agrícola maior em2008, que pode somar 129 bilhões de reais, com um aumento daprodução brasileira, admite fazer alguma correção em suaestimativa se a crise de crédito global se estender. "Teriam algumas correções para baixo desse ganhodecorrentes de uma eventual queda nos preços mundiais se, nãoestou dizendo que isso vai acontecer, os fundamentos do mercadoficassem um pouco mais frouxos, teria demanda menor, haveriauma queda de preços, é um cenário possível, não provável."

ROBERTO SAMORA, REUTERS

15 de agosto de 2007 | 17h53

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