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ANÁLISE-Recuo dos preço de grãos traz alívio ao setor de aves e suínos

A redução de gastos na compra de grãos e os preços mais firmes das carnes suína e de frango beneficiam as margens de indústrias de alimentos, após o repasse do aumento dos custos de 2012, mas o comportamento do consumidor diante de produtos mais caros pode limitar novos reajustes, disseram especialistas do setor.

FABÍOLA GOMES, Reuters

15 de abril de 2013 | 19h44

Mesmo assim, indústrias como BRF, Marfrig e até JBS, que entrou mais recentemente no segmento de aves e suínos no Brasil, têm agora uma situação menos apertada após verem seus custos dispararem no ano passado.

"Há um clima melhor, os custos de farelo de soja e de milho caíram em todas as regiões... Houve recuperação de margem operacional", disse à Reuters o presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, referindo-se aos insumos agrícolas que representam a maior parte dos custos da indústria.

Em 2012, em meio ao salto dos preços internacionais da soja e milho para valores recordes, depois da estiagem que afetou lavouras dos EUA e do Brasil, a indústria precisou repassar os custos maiores, reajustando gradativamente os preços dos produtos tanto no mercado interno como externo.

Agora o setor vem registrando quedas de preços de grãos, em meio a safras recordes no Brasil de soja e milho e boas perspectivas para as colheitas dos EUA.

A Ubabef estima que os preços do farelo de soja recuaram cerca de 20 por cento e os do milho 15 por cento desde janeiro. Ainda assim, acompanhamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que as cotações da soja e do milho seguem em patamares historicamente elevados, e praticamente estáveis ante igual período do ano passado.

"Preços domésticos e externos firmes e custos em queda devem impulsionar o movimento de ganhos (da companhia)", disseram os analistas do Itaú BBA em relatório sobre a BRF, a maior companhia de aves do país e uma das maiores do mundo.

Segundo os analistas do banco, o cenário altista se baseia, entre outros fatores, na expectativa de alta rentabilidade no curto prazo no mercado externo e novas reduções nos custos com ração, estimados no relatório em queda de 12 por cento no segundo trimestre de 2013 versus trimestre anterior.

PREÇOS E LIMITES

O analista do Banco do Brasil Investimentos (BB Investimentos), Henrique Koch, concordou que o cenário de custos é mais otimista do lado dos grãos, mas se diz mais conservador do lado dos preços.

Koch considerou que tem uma visão mais conservadora e observou que os preços da carne de frango devem ficar estáveis ao longo deste ano em relação aos valores mais recentes, embora esta acomodação ocorra em níveis mais elevados.

"Estamos falando de patamar mais alto (de preço) se considerar que já teve reajustes no ano passado depois do aumento dos insumos. Não vejo espaço para muitos aumentos este ano", acrescentou Koch.

Como exemplo, ele citou a BRF, uma referência para o setor por sua liderança na produção interna e exportação.

"Depois de um ano ruim, no sentido de custo, neste ano sou um pouco mais otimista... A BRF, também pela força das marcas, conseguiu repassar os custos e agora vai sentir um benefício com os preços dos grãos favoráveis para eles", disse o analista do BB Investimentos.

Ele observou que a indústria de suínos, no que se refere a custos, acaba sendo impactada da mesma maneira que a indústria de frango, por conta da dependência por grãos na composição da ração.

Mas no caso da suinocultura, a rentabilidade do setor fica muito atrelada ao desempenho dos mercados externos. E explica que embora as margens possam ter alguma recuperação, o setor fica vulnerável aos movimentos de importadores, como embargos parciais ou possíveis restrições, que afetam as vendas do setor.

O diretor técnico da Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz, também ressaltou que existe um limite para reajustes nos preços de carnes de aves e suínos.

"Repassar mais é complicado. O consumidor reage ao preço e tem um certo limite, de repente tem queda de venda, e faz a indústria trabalhar com mais ociosidade e o custo fixo vai para lua", disse Ferraz.

Além disso, uma alta significativa poderia levar os consumidores a optarem para carnes alternativas, como a bovina.

Ele considera que este comportamento depende, em parte, da confiança do consumidor na economia. "Se ele vê uma perspectiva boa, até aceita pagar um pouco a mais, mas se tem uma visão mais negativa, isso muda. Varia muito isso", observou.

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