ANÁLISE: Resultado esperado

A queda da taxa de desemprego e o aumento do pessoal ocupado mostram que o mercado de trabalho encontra-se em trajetória de recuperação lenta, porém sustentável

Fernando de Holanda Barbosa Filho*, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 22h44

O resultado da Pnad Contínua reforça a percepção da recuperação da economia. As surpresas positivas do PIB no início do mês e dados de atividade econômica (indústria e comércio principalmente) aumentaram as previsões de crescimento para 2017 e 2018. A queda da taxa de desemprego e o aumento do pessoal ocupado mostram que o mercado de trabalho, apesar do desemprego ainda elevado, encontra-se em trajetória de recuperação lenta, porém sustentável.

A recuperação continua concentrada no emprego informal, que tem crescido em ritmo mais acelerado do que o formal devido ao menor custo e maior flexibilidade da informalidade. Mas a geração de vagas no setor privado com carteira da Pnad reforça os resultados do Caged e mostra uma economia que começa a ganhar força.

A recuperação da economia e do emprego vem de fatores cíclicos e estruturais. Do ponto de vista cíclico, a redução das taxas de juros deve ser mais profunda, o que, em ambiente de inflação baixa e sob controle no próximo ano, deve dar mais impulso para a geração de emprego. 

Outra contribuição em 2018 deve vir do impacto positivo das reformas. A trabalhista reduziu a incerteza (e os custos esperados de contratação) e, com isso, deve estimular uma retomada mais forte do emprego. A permissão da terceirização deve estimular a produtividade e, também, gerar mais postos de trabalho. A TLP, por sua vez, reduz o juro de longo prazo, permitindo uma redução maior dos juros da economia.

Dessa forma, salvo mudanças abruptas na política doméstica ou no ambiente internacional, teremos um ambiente propício para o aumento do uso da capacidade instalada. A recuperação vai se mostrando mais forte a cada dia.

*PESQUISADOR DO IBRE/FGV

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