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ANÁLISE-Saída de Fidel abre espaço para reformas graduais

A aposentadoria política de Fidel Castropode abrir caminho para reformas econômicas graduais em Cuba,dentro das fronteiras do socialismo e sob o comando de seuirmão Raúl, avaliam analistas. Fidel, abatido por uma doença intestinal não revelada,despediu-se nesta terça-feira do poder depois de quase meioséculo comandando Cuba. Tudo indica que Raúl Castro, que osubstitui interinamente há um ano e meio, pode ser confirmadocomo novo presidente pelo Parlamento no domingo. Economistas em Cuba descartam reformas econômicasestruturais no curto prazo e apostam em mudanças paulatinas emsetores como agricultura. Para Phil Peters, especialista em Cuba do LexingtonInstitute em Washington, o impacto da aposentadoria de Fidelainda é incerto. "Mas suas idéias ortodoxas perderão força em um governo quebusca soluções para profundos problemas econômicos criados pelacentralização e pelo planejamento excessivo, sem mencionar afalta de liberdade econômica", disse ele. O gerente de uma empresa multinacional que opera em Cubaconcorda. "A transição em Cuba ocorreu um ano e meio atrás. Este é umpasso na direção correta de dar continuidade às reformas que aeconomia tanto precisa", disse ele, que preferiu não seidentificar. DESAFIOS ECONÔMICOS Oficialmente, a economia cubana cresceu 7,5 por cento em2007. As principais fontes de entrada de divisas no país são oturismo, os serviços médicos e educacionais e as exportações deníquel. Mas muitos dizem que o crescimento não se reflete em suavida, já que é difícil, por exemplo, comprar alimentosimportados vendidos em uma moeda 24 vezes mais cara que ospesos que recebem do Estado. Uma das prioridades de Raúl é reativar a agricultura paradar mais opções de alimentação aos cubanos e economizarcentenas de milhares de dólares em importações. Ele também já sugeriu que acabará com o "excesso deproibições". Ele não especificou a que se referia, mas muitosinterpretaram isso como uma vontade de simplificar os trâmitesde migração e a liberalização dos mercados imobiliário e deautomóveis. Outras reformas econômicas mais estruturais não serãopossíveis, segundo analistas, enquanto Fidel estiver vivo, jáque ele mantém a chefia do Partido Comunista e uma enormeinfluência. Frank Mora, analista político do National War College emWashington, não espera mudanças imediatas. "Cuba não mudará de forma significativa agora nem quandoFidel Castro morrer. Os raulistas entendem os perigos de fazermuitas reformas econômicas rápido demais." Raúl Castro promoveu nos últimos meses um profundo debatesobre os problemas da economia socialista e admitiu, porexemplo, que os salários estatais eram insuficientes. Mora, do National War College, acredita que a aposentadoriade Fidel é a segunda fase de um processo de transição quecomeçou com sua doença em julho de 2006. "A terceira fase chegará quando ele morrer. Em cada etapa,os líderes pós-Fidel estão assumindo mais poder e influênciapara determinar o futuro de Cuba de uma forma que poderiaparecer antiética segundo a visão de Fidel sobre como deveorganizar-se o governo de Cuba", disse ele. Peters, do Lexington Institute, lembra, no entanto, queFidel anunciou sua retirada no momento que achou ser oportuno. "Cuba tem seus problemas, muitos deles já identificados porseu próprios governo, e agora o socialismo cubano afundará,nadará ou se adaptará sem Fidel." (Reportagem adicional de Anthony Boadle)

ESTEBAN ISRAEL, REUTERS

19 de fevereiro de 2008 | 13h44

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