ANÁLISE: Se o governo ajudar, não há vácuo de oferta

O Brasil possui uma das maiores frotas de aviação geral do mundo, resultado de sua extensão territorial e de sua atividade econômica. São Paulo, sede de muitas empresas nacionais e multinacionais, tem uma grande frota de aviação geral (28% da frota nacional), que demanda infraestrutura aeroportuária. Mas os aeroportos disponíveis possuem sérias limitações à atividade da aviação executiva.

JORGE LEAL MEDEIROS *,

25 de julho de 2013 | 02h04

De fato, Congonhas tem apenas quatro de seu limite de 34 pousos e decolagens horários dedicados a esta aviação, e já se pensa transferi-los para os voos regulares. Guarulhos tem sérias restrições à permanência de aviões executivos. E Marte não possibilita operações por instrumentos, além de interferir com a operação de Guarulhos. Assim, não são coincidências os investimentos privados para a aviação executiva que já ocorrem em heliportos particulares, e, mais recentemente, também em aeroportos.

Finalmente agora, o governo do Estado, que há poucos anos considerou a concessão dos 31 aeroportos sob sua administração em cinco blocos, toma uma iniciativa louvável: por meio de seu departamento aeroviário, o Daesp, vai licitar cinco desses aeroportos, periféricos a São Paulo. Certamente a iniciativa privada terá mais agilidade em ampliá-los e promovê-los, oferecendo melhores serviços. De fato, com demanda saudável - o Brasil possui a segunda maior frota de aviação geral do mundo, crescendo acima de 5% ao ano -, não há vácuo de oferta por parte do capital privado, mais ainda com a ajuda do governo. A preocupação é que é quase nula a experiência do governo na administração destas novas concessões. Os usuários têm apenas o governo para defendê-los, em termos de segurança e de qualidade de serviços, e espera-se que não apenas a Anac e a SAC, mas agora também o governo do Estado, garantam condições de bom atendimento ao público usuário.

 

* JORGE LEAL MEDEIROS É ENGENHEIRO AERONÁUTICO E PROFESSOR DA ESCOLA POLITÉCNICA-USP.

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