Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

ANÁLISE: Sem lágrimas, adeus ao céu de brigadeiro na inflação

Um ano com crescimento do PIB que não superará 3,0% concomitante a uma inflação convergindo para o centro da meta dispensa, além dos lenços de papel, altas na Selic

Fábio Romão*, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2018 | 22h14

Pela primeira vez desde que o sistema de metas foi instituído, o IPCA encerrou o ano abaixo do piso.

Avalio que a modesta alta de 2,95% foi reflexo, pela ordem, de: (i) a transição climática do fenômeno El Niño para o atual clima moderado (que derrubou os preços agropecuários a partir do final de 2016), (ii) a relativa estabilidade cambial (a despeito de alguns solavancos políticos que geraram desvalorizações com surpreendente vida curta) e (iii) os efeitos defasados sobre a formação dos preços de dois anos consecutivos de atividade econômica em queda, o que não chancelou reajustes mais intensos.

Talvez o maior símbolo da excepcionalidade deste IPCA de 2017 seja o grupo Alimentação e Bebidas, que encerrou o ano em raríssima deflação: a queda de -1,87% destoa da média de +9,0% ao ano registrada até então nesta década. Um céu de brigadeiro que, tudo indica, está ficando para trás. As cotações de algumas commodities agrícolas, que chegaram à sua mínima histórica recente em 2017, começam a mostrar recomposição. Contudo, este movimento é gradual, já que o clima neutro é o mais provável para 2018, o que sinaliza, na ponta final, uma evolução apenas moderada desse grupo do IPCA.

Este prognóstico para os alimentos explica, em parte, a ausência de lágrimas do título. Adicionemos outro fator: os principais indexadores de preços, IPCA, INPC e IGP-M (este último fechou 2017 em deflação) apontam reajustes mais moderados, que poderão pavimentar esta aceleração cadenciada do IPCA.

Não por acaso, o pequeno reajuste implementado ao salário mínimo (inspirado no INPC), sinaliza que o crescimento do rendimento médio real poderá ficar aquém do observado em 2017, desautorizando maiores reajustes.

Deste modo, um ano com crescimento do PIB que não superará +3,0% concomitante a uma inflação convergindo para o centro da meta dispensa, além dos lenços de papel, altas na Selic.

*ECONOMISTA SÊNIOR DA LCA CONSULTORES

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.