ANÁLISE: Série de ‘deslizes’ explica derrota do Governo na Câmara

O maior problema foi que muitos deputados usaram a votação da urgência para se voltar contra os governadores de seus Estados

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2016 | 07h42

O presidente em exercício Michel Temer teve ontem a sua primeira derrota no Congresso, ao não conseguir aprovar na Câmara a urgência constitucional do projeto que trata da renegociação das dívidas dos Estados com a União. Inconformado com a desarticulação das lideranças da base aliada, Temer telefonou para o líderes do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE) e do PMDB, Baleia Rossi (SP) para entender o que aconteceu.

O maior problema foi que muitos deputados usaram a votação da urgência para se voltar contra os governadores de seus Estados – caso, por exemplo, de Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e Mato Grosso. O Planalto constatou que mais de cem parlamentares, apesar de estarem no Congresso, não foram ao plenário para votar – muitos deles do próprio PMDB. O objetivo agora é reverter o quadro negativo e obter a aprovação na próxima terça-feira.

Em relação a outras pautas, como o projeto de lei do pré-sal, que os líderes da Câmara decidiram não votar nesta semana, em comissão especial, um interlocutor do Planalto disse que o assunto está sendo ainda negociado. O governo minimizou também a aprovação de um requerimento para adiar por pelo menos três dias a votação do projeto que legaliza a exploração dos jogos de azar no País.

O presidente em exercício não gostou também da decisão de deputados de retirar a urgência dos três projetos de combate à corrupção, que foram propostos pela presidente afastada Dilma Rousseff, ter sido colocada na conta do governo. O governo lembrou que, na verdade, vários deputados não têm interesse na aprovação desses projetos. Para não brigar com a base, porém, o Planalto admite que terá de achar outra forma de negociar o tema.

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