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ANÁLISE-Tempo e financiamento dificultam negócio JBS-Sara Lee

A possibilidade de as salsichas para cachorro-quente Ball Park e as linguiças de café da manhã Jimmy Dean, da Sara Lee, muito populares nos Estados Unidos, caírem em mãos brasileiras será confrontada com dois potenciais riscos: financiamento e tempo.

GUILLERMO PARRA-BERNAL, REUTERS

21 de dezembro de 2010 | 16h36

A JBS já está bastante alavancada depois de uma dúzia de aquisições desde 2007. Os negócios levaram o grupo para o topo do ranking de processamento de carne, mas o deixaram relativamente curto de dinheiro em meio às conversações com a Sara Lee.

Se o JBS puder fechar o negócio, ganhará sinergias e estará bem posicionado para colher os benefícios da recuperação econômica norte-americana.

No entanto, as indigestas opções de financiamento, incluindo emissões de bônus ou pedidos de novos empréstimos para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), poderiam indispor investidores --especialmente se a direção do JBS levar muito tempo para garantir os recursos.

E pressão já existe por parte do mercado, com as ações da empresa perdendo 25 por cento neste ano.

"Esse negócio poderia enfrentar sérios riscos financeiros e de execução", diz Ricardo Kovacs, analista da Moody's em São Paulo. "Qualquer que seja a estrutura financeira que formularem, terão que trabalhar para reduzir os riscos financeiros e gerar fluxo de caixa."

A quantidade de dinheiro necessária para um negócio desse é enorme, levando em consideração o valor de mercado da Sara Lee, de 12,5 bilhões de dólares, enquanto o JBS possui um valor de 11 bilhões de dólares.

BNDES? BÔNUS?

A solução talvez fosse um novo empréstimo do BNDES, diz Ricardo Almeida, professor de finanças corporativas na escola de negócios Insper. Mas essa opção é incerta.

O BNDES já detém 27 por cento da dívida emitida pelo JBS, além de cerca de 20 por cento das ações.

Vender bônus nos mercados local e internacional é outra opção, diz Robert Moscow, analista do Credit Suisse. O JBS recentemente emitiu 900 milhões de dólares para alongar alguns pagamentos e para cobrir outros compromissos.

Mas um negócio todo em bônus no momento é questionável, porque dobraria o nível de alavancagem da companhia.

A dívida total do JBS era de 15,8 bilhões de reais no final do terceiro trimestre, 161 por cento acima de um ano antes.

"Os mercados iriam censurar qualquer grande emissão nesse momento", afirmou Almeida. "As alternativas para financiamento são limitadas."

As férias no Brasil são outro problema. Nesta época do ano muitos participantes do mercado estão distantes, o que poderia atrapalhar qualquer movimento para levantar uma parte do financiamento localmente.

No final, o negócio também depende de quanto tempo o conselho da Sara Lee dará para a empresa brasileira levantar o dinheiro necessário.

(Reportagem adicional de Marcelo Teixeira e Roberto Samora)

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