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ANÁLISE: Teremos de remar ainda mais

Mercado de trabalho, finalmente, apresentou resultado não negativo; resultado, entretanto, não mostra recuperação

Fernando de Holanda Barbosa Filho*, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2017 | 21h52

A taxa de desemprego no Brasil finalmente apresentou queda após longo período de seguidos aumentos. Em relação ao período janeiro-fevereiro-março, o desemprego em fevereiro-março-abril – a chamada “taxa de abril” – caiu 0,1 ponto porcentual (pp), com ajuste sazonal. Foi a primeira vez que a taxa com ajuste sazonal não aumentou desde julho de 2014.

Finalmente o mercado de trabalho apresentou resultado não negativo. O resultado não mostra recuperação, mas indica que estamos (ou estaríamos) perto do fundo do poço. A possível estabilidade da taxa de desemprego foi a grande notícia.

As previsões indicavam que o pior momento do mercado de trabalho deveria acontecer ao longo do primeiro semestre deste ano, com a recuperação começando durante o segundo semestre, ainda que de forma tímida. O mercado de trabalho doméstico somente apresentaria uma evolução mais forte a partir de 2018.

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Ou seja, os dados divulgados pelo IBGE refletiram as expectativas de recuperação do mercado de trabalho. Infelizmente, ainda é cedo (ou tarde demais) para comemorar o resultado. No atual cenário político doméstico, a dinâmica apresentada ontem é uma foto velha e ultrapassada de uma trajetória de recuperação que não ocorrerá mais.

A nova crise política iniciada com a gravação do presidente Temer duas semanas atrás elevou muito a incerteza e deve reduzir o ritmo da retomada da economia brasileira. A reforma trabalhista ainda pode ser aprovada, mas a da Previdência não deve passar (ou ao menos esse parece ser o prognóstico hoje). E, caso passe, será mais aguada do que aquela que seria aprovada após as grandes concessões já ocorridas antes do recente escândalo.

A ausência das reformas esperadas não permitirá maiores quedas do risco país e, com isso, a redução do juro neutro de longo prazo da economia brasileira não ocorrerá. O aumento da incerteza, em conjunção com o provável fim das reformas no curto prazo, reduzirá a queda da taxa de juros pelo Banco Central, diminuindo não somente o ritmo da recuperação econômica como também da geração do emprego. Teremos que remar ainda mais para sair da crise.

*PESQUISADOR DO IBRE/FGV

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