ANÁLISE: Varejo vira o jogo no segundo semestre

Inflação e juros em baixa e um mínimo resgate da confiança ante o fim da sangria no mercado de trabalho estão animando os consumidores ao longo deste ano

Fábio Bentes*, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2017 | 21h31

Após dois anos de quedas intensas, 2017 começou de forma mais promissora para o varejo brasileiro. Inflação e juros em baixa, disponibilização de recursos extraordinários para o consumo, com a liberação do saldo das contas inativas do FGTS, e um mínimo resgate da confiança ante o fim da sangria no mercado de trabalho estão animando os consumidores ao longo deste ano.

Ainda longe da recuperação, e principalmente da euforia do último ciclo de crescimento do consumo, lojistas de setores importantes estão mais confiantes com o comportamento das vendas.

Para termos uma ideia do tamanho da rasteira que o comércio varejista brasileiro tomou da recente recessão, mesmo diante dos resultados positivos dos últimos meses, o nível mensal das vendas correspondem ao mesmo patamar da segunda metade de 2010. Mas qual é o fôlego dessa recuperação? Ou ainda, quando retomaremos o padrão normal das vendas?

A sustentabilidade do crescimento do consumo passa necessariamente pela retomada dos investimentos. Nem o mais otimista dos economistas apostaria na sustentabilidade do nível de atividade e do consumo das famílias com o nível de investimentos abaixo dos 20% (hoje, em 15%).

Claramente, e de forma geral, o compromisso com o equilíbrio fiscal sem avanço da carga tributária e, em particular, a reforma da Previdência serão fundamentais para a retomada dos investimentos. Os indicadores conjunturais mais recentes mostram que o setor privado vai se reerguendo da crise, a bola agora está com o setor público.

*Chefe da divisão econômica da CNC

 

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