ANÁLISE: Vitória na reforma trabalhista fortalece governo, mas oposição pode ganhar discurso

Aprovar a modernização das leis trabalhistas pode produzir um efeito colateral contra o Palácio do Planalto

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2017 | 23h37

BRASÍLIA - Se confirmar nesta quarta-feira, 26, a aprovação da reforma trabalhista na Câmara, o governo terá feito um avanço significativo para cumprir a promessa política de votar as medidas necessárias para a retomada do crescimento econômico. A modernização das leis trabalhistas é um anseio cobrado pelo setor produtivo há anos e sua provável votação sinaliza positivamente num momento em que o meio político e o próprio governo estão fragilizados por causa das revelações feitas pela delação dos executivos da Odebrecht.

Apesar disso, o resultado produz também um efeito colateral contra o Palácio do Planalto e contra os partidos da base. Se fortalece o governo, pela aprovação de uma proposta importante na reestruturação da economia, também oferece, simultaneamente, um discurso para a oposição se agarrar no processo sucessório para 2018.

O impeachment de Dilma Rousseff e a derrocada petista nas eleições municipais do ano passado tinham deixado a oposição batida e sem poder de reação. Com a discussão das reformas trabalhista e previdenciária, a oposição se apega, agora, ao discurso da defesa dos direitos de trabalhadores e aposentados. Ainda que essa argumentação da oposição deixe nítidos buracos, tem a capacidade de produzir apelo popular. Especialmente com a dificuldade apresentada até agora pelo governo na hora de comunicar a mensagem sobre a importância econômica da aprovação das reformas.

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