Analista espera imposto sobre saques na Venezuela

O estrategista sênior para mercados emergentes do banco JP Morgan, Luis Oganes, disse que é grande a expectativa entre os analistas de Wall Street para um anúncio a ser feito amanhã, pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez, de novas medidas econômicas, incluindo um imposto sobre os saques de depósitos bancários. "Ainda não se trata de controle de capital, mas a medida visa tornar mais caro o saque de depósitos bancários pelas pessoas para comprar dólar, pois teme-se cada vez mais a deterioração da situação política e uma megadesvalorização do bolívar, a moeda venezuelana", disse Oganes à Agência Estado. Ele informou que tem aumentado, nos últimos dias, a demanda por dólar na Venezuela - movimento que começou pelas empresas e agora está se alastrando pela população. Com isso, os saques de depósitos bancários têm aumentado bastante, embora não tenham atingidos os níveis críticos observados na Argentina. Para Oganes, o risco de uma forte desvalorização tem crescido, porém a Venezuela ainda conta com elevados níveis de reservas internacionais, equivalente a 11 meses do valor das importações. "Chavez irá defender a moeda de qualquer maneira, implementando, como última instância, controle de capitais. Esse imposto sobre saques bancários, que poderá ser anunciado amanhã, é o primeiro passo nessa direção", disse o estrategista do JP Morgan. O banco norte-americano calcula que o bolívar está 33% sobrevalorizado em relação ao dólar. O agravamento dos confrontos políticos entre o presidente Hugo Chavez e os sindicatos, a população e o setor privado somente aumenta a pressão sobre a moeda, via maior demanda por dólar e maiores saques bancários. "A única maneira de reverter essa grave crise política seria se o presidente Chavez adotasse um tom conciliatório e buscasse o diálogo, porém sua personalidade não aponta para essa solução", afirmou Oganes. Essa crise política tem ofuscado, inclusive, os últimos ganhos registrados pelo preço do petróleo, que vinha em constante queda. Desde meados de dezembro, a cesta de petróleo da Venezuela ganhou US$ 2,7 por barril, mas esse ganho acabou se perdendo, via diminuição das reservas com a maior demanda por dólar pela sociedade. "Se a popularidade do presidente Chavez continuar caindo, atingindo atualmente índice de 30%, contra 60% há um ano, a Venezuela corre sério risco de uma forte turbulência política", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.