Analista já prevê IPCA de 2008 em 5%, sem alta da gasolina

'IPCA para abril que tenho projetado está assustando', diz economista-chefe da SLW Asset Management

Flavio Leonel, da Agência Estado,

26 de abril de 2008 | 11h42

O economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu de Freitas Filho, afirmou que está "assustado" com a expectativa que passou a trabalhar para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril e com as conseqüências que esta previsão podem gerar para a taxa do final do ano. Ele disse que, por conta principalmente das pressões ainda fortes que estão sendo observadas nos preços da alimentação, aguarda uma taxa de 0,60% para o índice no final do mês. "O IPCA para abril que tenho projetado está assustando, pois, a taxa acumulada em 12 meses poderia ficar em torno de 5,3%", comentou. "Revisei também a projeção de 2008 para 5,00%, sem ajuste da gasolina. Com um eventual aumento deste combustível e seus impactos diretos e indiretos, a previsão mudaria para 5,40%", informou o economista, que, inicialmente, trabalhava com uma taxa de 4,70% e, recentemente, já havia passado a trabalhar com um número de 4,90% para o indicador oficial de inflação do País. O cenário mais preocupante traçado por Freitas Filho foi reforçado, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que o IPCA-15 de abril, uma parcial do indicador fechado do mês, avançou 0,59% ante 0,23% do mês anterior. O economista da SLW Asset estava no teto das expectativas (0,62%) coletadas pela AE na véspera da divulgação, mas salientou que, além do nível alto observado para a taxa, as pressões que está notando no acompanhamento do grupo Alimentação ainda continuam resistentes. "Além da parte in natura, há também um impacto maior sendo previsto para os preços do arroz, do leite e do frango", comentou. Fora do grupo Alimentação, ele conta também com a pressão que o reajuste autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para os remédios poderá trazer para o grupo Saúde no IPCA fechado de abril. Quanto ao terreno de quedas, afirmou que já está contando com um alívio para o grupo Habitação, em virtude da redução na tarifa de energia elétrica que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou para a cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. "Para a tarifa de energia, estamos projetando uma queda de 1,80%, no âmbito do IPCA de abril", informou. O economista-chefe fez questão de frisar que todo o cenário preocupante para o IPCA de 2008 leva em conta a continuidade da alta dos preços dos alimentos no mercado internacional. "Estou calculando estas previsões para 2008 levando em conta a continuidade da pressão das commodities lá fora. Se for constatado um ajuste para baixo nos preços, o impacto menor também será sentido no Brasil e serei obrigado a reduzir as estimativas", afirmou. Freitas Filho destacou também que a taxa de 5,0% para o IPCA do ano também já faz parte de um cenário de continuidade no ciclo de altas da taxa básica de juros, iniciado neste mês pelo Banco Central, com um aumento de 0,50 ponto porcentual da Selic, atualmente em 11,75% ao ano. "Nossa expectativa de ajuste total de 200 pontos-base para os juros em 2008 ainda está mantida. Nossa previsão é que a taxa de juros chegue ao final do ano em 13,25%", disse.

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