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Analistas alertam para risco de novo corte da nota do Brasil

Governo deve mudar política fiscal para evitar a perda do grau de investimento, nota considerada segura pelos investidores

O Estado de S.Paulo

25 de março de 2014 | 02h07

A repercussão da decisão de rebaixamento da nota de risco do Brasil pela Standard & Poor's (S&P), anunciada nesta segunda-feira, 25, não encontrou unanimidade entre analistas econômicos. As avaliações variaram de "correta e técnica" a "equivocada" e "precipitada".

Mas, em geral, os analistas chamaram a atenção para o risco de o Brasil ser novamente rebaixado e perder a nota de grau de investimento, considerada segura pelos investidores. Os resultados, segundo os especialistas, poderiam ser graves, com forte saída de dólares do País. O próprio governo vê risco de novos cortes da nota.

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria Integrada, disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que a decisão indica que, sem medidas corretivas do governo, principalmente na questão fiscal, o País pode perder o grau de investimento.

"Foi menos mal, porque o Brasil ainda não perdeu o grau de investimento, mas fica sinalização forte que isso pode ocorrer caso não sejam tomadas medidas corretivas pelo governo, principalmente nas questões fiscal e de crescimento."

Loyola considerou o anúncio da S&P já esperado e antecipado pelo mercado, mas avaliou a decisão como negativa, pois poderá afastar novos investimentos. "Os investidores tomam em consideração essa classificação de risco nas decisões."

Na mesma linha, o diretor de pesquisas para América Latina do banco Goldman Sachs, Alberto Ramos, afirmou ao Broadcast que o rebaixamento do Brasil "é um sinal de alerta para as autoridades não desviarem mais a gestão da política econômica". Ele se referiu especialmente à administração das contas públicas, que sofreram deterioração nos últimos dois anos.

Ricardo Lacerda, sócio do banco BR Partners, diz que o rebaixamento veio antes que o esperado pelo mercado e serve de alerta. "É um aviso para o governo ajustar as contas públicas. Perder a nota de grau de investimento seria catastrófico."

Para a economista Monica de Bolle, diretora da consultoria Galanto e professora da PUC-Rio, a decisão da S&P foi "correta e técnica". Mas ela destacou que o País ainda tem grau de investimento e que o fato de a agência mudar a perspectiva de negativa para estável indica que está confortável com isso.

Destoando dos demais analistas, o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, classificou como um "equívoco" a decisão da S&P. "O País tem melhores indicadores de solvência externa do que outros com o mesmo rating de dívida em moeda estrangeira." Ele avalia que, "em tese" poderiam ocorrer implicações dessa decisão da S&P sobre o custo de capital de empresas públicas e privadas. "Mas me interrogo se de fato isso poderá ocorrer, pois o Brasil está dando respostas adequadas na gestão da economia, especialmente na área fiscal, monetária e câmbio flutuante.

Numa avaliação semelhante, o economista da Tendências Consultoria Integrada Felipe Salto, acredita que o rebaixamento foi precipitado.

Segundo ele, as últimas decisões do governo já deveriam ter sido suficientes para postergar essa decisão.   

 

(Gustavo Porto, Ricardo Leopoldo, Fernadno Dantas, Josette Goulart e Beatriz Bulla)

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