Analistas alertam sobre consumo energético no Brasil e na Ásia

Brasil, China e Índia devem reduzir seu desperdício de energia para evitar, nas próximas duas décadas, um drástico aumento nas emissões de gases que provocam o efeito estufa, segundo informou um grupo de analistas internacionais.Os dados de um estudo internacional divulgado nesta segunda-feira e realizado nos últimos quatro anos pelo programa "Eficiência de Energia em Três Países" (3 CEE, na sigla em inglês) da ONU e do Banco Mundial (BM) são sombrios.Caso prossiga a tendência atual de consumo de energia e de uso das fontes tradicionais, no prazo de apenas uma geração - até o ano 2030 -, Brasil, China e Índia terão duplicado sua utilização de energia e suas emissões de gases que produzem o efeito estufa.Para conter essa explosão da demanda energética, que poderia ampliar ainda mais a mudança climática que está sendo sentida no mundo todo, os analistas consideram que a modernização das empresas e das moradias esses países poderiam reduzir seu uso de energia atual em pelo menos 25%.Além disso, o uso de tecnologias avançadas poderia reduzir o crescimento previsto do consumo de energia daqui até 2030 em pelo menos outros 10%, o que reduziria as estimativas de aumento de emissões de dióxido de carbono em 16%.Os analistas estão de acordo em que a eliminação do desperdício é a forma mais barata, fácil e rápida de solucionar muitos problemas energéticos e melhorar tanto o meio ambiente como o desenvolvimento econômico.Aumento nas emissõesCalcula-se que as emissões de dióxido de carbono do Brasil passarão, nesse período, de 302 milhões de toneladas para 665 milhões, enquanto as da China passarão de 3,307 bilhões de toneladas atuais para 7,144 bilhões em 2030. Na Índia, o aumento será de 1,016 bilhão de toneladas para 2,254 bilhões. Mas os analistas acrescentam que ainda existem possibilidades de reverter a tendência.No Brasil, com economias potenciais estimadas em US$ 2,25 bilhões, as companhias geradoras de energia têm destinado 0,25% de suas receitas anuais a projetos para economizar recursos energéticos, o que somou US$ 250 milhões entre 1998 e 2004. Em 2005, a China iniciou 300 projetos de eficiência energética em combinação com o programa 3 CEE - com um investimento de US$ 200 milhões - que economizaram o equivalente a 2,46 bilhões de toneladas de carvão e reduziu as emissões anuais de dióxido de carbono em 7 milhões de toneladas.No caso de Índia, onde se estima que o mercado potencial de eficiência energética é de mais de US$ 3,1 bilhões, cinco de seus maiores bancos iniciaram concessões de crédito para reduzir o consumo de energia.

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