Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Analistas americanos esperam que corte nos juros 'não seja sinal de imprudência'

Economistas ouvidos pela BBC Brasil dizem que medida pode sinalizar 'confiança' do governo brasileiro.

Camila Viegas-Lee, BBC

11 de março de 2009 | 22h39

Analistas norte-americanos ouvidos pela BBC Brasil disseram esperar que a redução em 1,5 ponto percentual da taxa básica de juros brasileira seja um sinal de confiança do Comitê de Política Monetária (Copom), e não de imprudência. Em entrevista à BBC Brasil, Peter Hakim, presidente do Inter-American Dialogue, um centro de análise política com sede em Washington, disse que a razão básica pela qual as taxas de juros brasileiras estavam sendo mantidas em 12,75% era "o medo de que uma redução forçasse a depreciação da moeda e provocasse um impacto inflacionário". Para o analista, o governo brasileiro "parece estar seguro de que a inflação está sob controle e que está forte o suficiente para usar políticas monetárias como medida anticíclica durante este período de instabilidade econômica". "Pouco tempo atrás, o governo brasileiro teria hesitado, com medo do retorno da inflação, mas agora ele está confiante de que pode gerenciar um corte das taxas de juros, o que deve facilitar empréstimos e estimular a atividade econômica. O perigo é enfraquecer o valor do real e, basicamente, criar mais dificuldades para o país", afirmou Hakim.Leia também na BBC Brasil: Banco Central reduz taxa de juros para 11,25% ao ano "Espero que isso (a redução nos juros) mostre um nível de confiança, e não de imprudência. Eu tenho visto o governo conversar com muitas pessoas da comunidade internacional sobre isso e acredito que acabou seguro de que uma queda das taxas de juros não vai provocar um deslizamento de moeda."Para Riordan Roett, diretor do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade Johns Hopkins, não há dúvida de que o Banco Central brasileiro está sendo "muito pragmático e flexível e tem acompanhado a crise financeira de perto, com muita atenção". "As taxas de juros estavam altas e havia uma decisão política a ser tomada entre o medo da inflação e o estímulo do crédito e do consumo. Eles foram pelo estímulo do crédito e do consumo", disse Roett.Riordan Roett afirmou ainda que a queda de 3,6% no PIB do quarto trimestre de 2008 - o pior desempenho da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1996 - pode ser um indício de que a possibilidade de recessão no Brasil aumentou, mas que esse é um fenômeno comum que inclui a Europa, Ásia e Estados Unidos. "Estamos em uma crise financeira de grandes proporções, e a ideia de seis meses atrás de que era possível desatrelar os mercados emergentes dos países desenvolvidos não faz o menor sentido", disse. "O que vemos é que estamos todos atrelados uns aos outros e, por isso, todos os governos devem tomar decisões políticas para seguir o que é melhor para suas economias. O Copom acredita seriamente que um corte das taxas de juros vai estimular o crédito e o consumo e pelo menos manter níveis de crescimento razoáveis". Roett, que está em ano sabático na Espanha, se encontrou na manhã desta quarta-feira com o ex-presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Enrique Iglesias, e outros economistas em Madri.Segundo ele, durante o encontro, "todos estavam preocupados com a queda dos níveis de crescimento" da América Latina "e suas implicações sociais".Segundo o economista, o Banco Central brasileiro está acelerando a velocidade do relaxamento monetário para reduzir a contração econômica. Para Peter Hakim, do Inter-American Dialogue, a redução na taxa de juros "foi um grande passo para o Brasil".Ele afirmou esperar que o governo brasileiro mostre que "está com a situação sob controle e que (a redução) não se trata de bravata". "Todos os governos estão preocupados com a inflação e meu palpite é que este não é um passo ruim neste momento."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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