Analistas apoíam decisão do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 16,5% ao ano, sem viés. Isso quer dizer que a taxa só poderá ser alterada na próxima reunião do Comitê, nos dias 21 e 22 de novembro. De acordo com o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Luís Fernando de Figueiredo, as incertezas externas justificam a decisão do Copom.A maioria dos analistas já esperava a manutenção da Selic e concorda com a postura de cautela adotada pelo Comitê. Apesar dos bons fundamentos da economia brasileira, o que permitiria um novo corte na taxa de juros, a instabilidade no cenário externo, principalmente em relação à pressão de alta no preço do petróleo, não abre condições para uma nova revisão dos juros.De acordo com Hugo Penteado, economista-chefe da ABN Amro Asset Management, no primeiro semestre do ano, a demanda externa dos países garantia o nível de crescimento econômico mundial. Para o segundo semestre, a expectativa era de que o consumo interno desse seqüência à tendência. "Porém, com a alta do preço do petróleo, esse cenário não é mais possível", explica.O economista explica que, com o mercado externo instável, com reversão das perspectivas de crescimento mundial, os fundamentos da economia brasileira têm peso menor na decisão do Comitê. "Isso porque os investidores poderiam ter uma interpretação negativa de uma atitude descuidada do governo brasileiro", afirma Penteado.Além disso, na opinião de Marcelo Cypriano, economista do BankBoston, o Copom deve ser cauteloso com os efeitos da queda dos juros. "A cada corte, a equipe econômica deve analisar o impacto da redução dos juros na economia brasileira, impedindo que os índices de inflação fiquem pressionados". Esse cenário seria possível caso uma queda das taxas de juros provocasse um aumento muito forte da demanda, o que levaria a uma alta dos preços puxando os índices de inflação.Mercado financeiro nos EUA contribui para a instabilidadeAs oscilações do mercado acionário nos Estados Unidos favorecem o clima de instabilidade no cenário externo. Marcelo Alain, economista-chefe do Banco Inter American Express, acredita que uma queda dos juros agora não teria coerência com o momento atual no mercado financeiro mundial. "Mas, com a volta da clama no exterior, já existe espaço para uma nova redução da Selic", avalia.As bolsas nos Estados Unidos têm sido afetadas nos últimos dias pela divulgação de resultados trimestrais de empresas norte-americanas. O problema é que os investidores esperavam altos lucros das companhias do setor de tecnologia e Internet. Como esses números não foram tão expressivos, os investidores reavaliaram suas projeções de ganho para esse ano e para os próximos e isso mexeu com o volume e desempenho das Bolsas.Selic pode ter novo corte até o final do anoCom o recuo dos índices de inflação, os analistas acreditam que o Copom pode cortar a taxa de juros novamente ainda nesse ano. Marcelo Carvalho, economista-chefe do JP Morgan aposta em uma redução de 0,5 ponto porcentual em dezembro. Alain é mais agressivo: "Caso a estabilidade no cenário externoaconteça rapidamente, a Selic pode chegar a 15,5% no final do ano".

Agencia Estado,

18 de outubro de 2000 | 19h03

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