Analistas apontam motivos para queda do dólar

Fatores pontuais favoreceram a queda do dólar nos últimos dias. Exemplo disso foi a grande oferta de títulos cambiais feita pelo Banco Central (BC) em momentos de alta da moeda norte-americana após os atentados terroristas em 11 de setembro. O total de títulos ofertados foi de R$ 23,6 bilhões de reais. A decisão do governo de limitar o estoque de dólares por parte das instituições financeiras também contribuiu para a queda das cotações. Segundo apurou o editor Gustavo Freire, esta limitação fez com que a exposição líquida dos bancos em moeda estrangeira fosse reduzida de R$ 25 bilhões para R$ 15 bilhões em outubro, o que aumentou o volume de dólares no mercado, reduzindo a pressão de alta sobre o dólar."Estes fatores seriam insuficientes para provocar uma queda tão expressiva do dólar, caso as perspectivas sobre o fluxo de dólares no próximo ano não tivessem melhorado", afirma o economista-chefe do ABN Amro Asset Management, Hugo Penteado. Segundo ele, o dólar no final deste ano deve ficar em R$ 2,65 e, no final de 2002, em R$ 2,70. A instituição tinha projeções mais elevadas, mas, em função de uma melhora nas perspectivas das contas externas no próximo ano, os valores foram reduzidos. "A nossa perspectiva era de que a necessidade de recursos para o Brasil no próximo ano seria de US$ 60 bilhões. Este valor foi reduzido para US$ 48,5 bilhões. Ou seja, com uma necessidade menor de dólares, a pressão de alta sobre o câmbio diminui." Nos últimos 30 dias, até ontem, o dólar apresenta uma baixa de 8,88%. Este resultado anula em parte a forte desvalorização do real frente ao dólar neste ano que, até ontem, apresentava uma queda de 29,57%.Nos próximos dias, o economista-chefe do BicBanco, Luiz Rabi, acredita que o dólar deve permanecer no patamar atual - em torno de R$ 2,55 -, podendo oscilar até R$ 2,65 em momentos de instabilidade e incertezas mais fortes no cenário. "Este é um bom patamar de estabilização para a moeda norte-americana. Acima disso, a inflação pode ser pressionada e abaixo prejudicaria a balança comercial", afirma. Em 2002, Rabi acredita que o dólar deve oscilar entre R$ 2,65 e R$ 2,70. Este intervalo, segundo ele, deve favorecer um superávit - exportações maiores que importações - entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões. Nesta expectativa, o economista leva em conta a retomada da atividade econômica norte-americana no segundo trimestre do próximo ano. "Mas, caso aconteçam novos atentados terroristas, este cenário pode mudar", afirma.Ainda existem muitas incertezasA equipe econômica do Deutsche Bank não tem o hábito de fazer projeções para as cotações do dólar. Diante de fatores imponderáveris, como a ampliação dos conflitos na Ásia Central e novos ataques terroristas aos Estados Unidos, esta postura foi ainda mais reforçada. Assim como Rabi, José Cunha, estrategista do Deutsche Bank destaca que a tendência para o dólar em 2002 será influenciada pelo resultado da balança comercial e pelo fluxo de investimentos diretos e estes fatores dependem de quanto a economia mundial vai crescer no próximo ano, tanto em trocas comerciais como em negociações financeiras. "O ritmo da atividade econômica nos Estados Unidos será fundamental. A taxa de juros no país já foi reduzida de maneira agressiva, mas o impacto não é instantâneo", afirma. O chefe da mesa de câmbio do ING Barings, Alexandre Vasarhelyi, lembra que o agravamento da situação argentina também pode provocar oscilação nas cotações, assim como a proximidade de eleições presidenciais no próximo ano.Veja no link abaixo as recomendações para quem tem dívidas em dólar ou pretende viajar para o exterior e os riscos de aplicações em dólar ou em fundos cambiais.

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