Analistas apontam prós e contras para queda da Selic

Representante da opinião majoritária do mercado, o economista-chefe do HSBC, Alexandre Bassoli, acredita que o Copom manterá inalterada em 18% a taxa de juros, na reunião que começa hoje e termina amanhã. O viés de baixa, de acordo com ele, será preservado. Em contrapartida, o economista-sênior do J.P. Morgan, Fábio Akira, faz parte de um grupo que aposta em corte nos juros. Até o fim da semana passada, ele previa uma queda de 0,50 ponto porcentual. Depois da depreciação do câmbio nos últimos dias, Akira reduziu sua expectativa para um corte de 0,25 ponto porcentual, sem uso de viés. "A taxa de juros de 18% não é neutra e está provocando desaceleração econômica", disse Akira. Ele acredita que o BC está preocupado com a queda do nível de atividade, temendo que a economia rume para a recessão no quarto trimestre deste ano. "É uma preocupação viva do BC", diz Akira, admitindo que o aumento do risco político com o temor de que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhe no primeiro turno da eleição presidencial, pressionando o câmbio, pode reduzir "o ímpeto" para um corte.Segundo Akira, dentre as variáveis econômicas que o Copom observará, a taxa de câmbio está semelhante à da reunião anterior e o prêmio de risco do País caiu de cerca de 2.000 pontos base para um nível entre 1.700 e 1.800 pontso base. Em contrapartida, o preço do petróleo subiu, limitando o espaço para corte dos juros. Ele disse que o BC não pode assumir a hipótese de invasão dos Estados Unidos ao Iraque, usando apenas o mercado futuro para projetar a tendência do preço do petróleo nos próximos meses.Mesmo admitindo que ameaça da recessão ronda a economia, Bassoli disse que a evidência empírica mostra que o repasse da desvalorização cambial para os preços depende de algumas variáveis, como o grau de aquecimento da economia. De maio até hoje, lembrou, a desvalorização cambial foi de 25%. Parte da desvalorização foi transferida para os preços, mas o coeficiente de repasse foi baixo, ponderou, porque o nível de atividade da economia está em queda. Do contrário, o repasse seria maior.Dado o alto grau de incerteza que permeia o cenário econômico, não apenas em torno da eleição presidencial, mas também pela possibilidade de uma guerra entre Estados Unidos e Iraque, Bassoli aposta no conservadorismo do Copom. "A forma da política monetária reagir num momento de incerteza é se mexer de forma cautelosa", afirmou o economista. Mantido os juros em 18% e o viés de baixa, ele acredita que o BC terá "uma justificativa palpável" para cortar a taxa depois do primeiro turno da eleição.

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