Analistas apontam setor imobiliário aquecido

Analistas acreditam que parte dos recursos que vêm sendo sacados dos fundos de investimento está sendo direcionada para o mercado imobiliário, tanto para a compra de imóveis quanto para alocação nos fundos de investimento imobiliário. No mês, até o dia 25 de outubro, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), os resgates dos fundos totalizam R$ 1.499,34 milhões."Não é certo que o dinheiro que está saindo dos fundos está sendo colocado no setor de imóveis, mas as incertezas no cenário, que deixam os investidores inseguros, fazem com que eles busquem aplicações menos arriscadas. Imóvel é tradicionalmente uma aplicação conservadora" afirma o diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia.Os fundos imobiliários vêm atraindo investidores. Atualmente já estão em funcionamento mais de 60 fundos imobiliários no Brasil, com patrimônio total superior a R$ 1,4 bilhão e há mais cinco com patrimônio total de R$ 389,7 milhões em aprovação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).O mercado de imóveis também vem apresentando crescimento. As vendas acumuladas de imóveis nos oito meses do ano cresceram 3,7% na comparação com mesmo período do ano passado - 10.260 unidades contra 9.898 unidades -, segundo dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Comerciais e Residenciais de São Paulo (Secovi).Fundos ImobiliáriosSegundo Pompéia, um dos motivos para o aquecimento do setor de imóveis foi o grande número de lançamentos de fundos imobiliários. "Este investimento abriu a possibilidade de pulverização de um ativo mais caro em cotas de valores menores." Aplicando em um fundo imobiliário, o investidor não compra efetivamente um imóvel, ele compra cotas. O ganho da aplicação será dado pela locação do imóvel que compõe o fundo. Este valor será dividido pelo número de cotas e cada investidor vai receber, proporcionalmente, o seu rendimento. Alguns fundos imobiliários oferecem um rendimento fixo no início da aplicação e, a partir de um determinado período - que varia de acordo com cada produto - passam a ter ganho variável segundo o valor apurado com a alocação. De acordo com Pompéia, o rendimento bruto mensal destes produtos tem ficado em torno de 1,3%.O diretor da Brazilian Mortgages, Fábio Nogueira, acredita que um dos motivos para o crescimento do interesse dos investidores pelos fundos imobiliários é a alternativa de diversificação. "Os fundos pagam uma taxa de juro atraente. Além disso, são aplicações vinculadas a um segmento mais conservador, o de imóveis." ImóveisPompéia afirma que, também para quem comprou imóveis diretamente, o ganho conseguido com a locação foi bom, principalmente no caso de imóveis comerciais. "Neste segmento, quem escolheu imóveis de boa qualidade viu o preço do aluguel do seu imóvel subir mais do que 50% em dois anos", afirma o diretor. Ele cita como exemplo a locação do metro quadrado na Torre Norte, localizada na Marginal Pinheiros. Segundo ele, há dois anos, a locação do metro quadrado custava R$ 55 e atualmente custa R$ 84. Como características que definem boa qualidade em um imóvel comercial, Pompéia enumera alguns itens: localização em regiões conhecidas, fácil acesso, ar condicionado central, boa circulação de ar vertical, pisos elevados para boa circulação da fiação, acabamento de primeira linha, fachadas em granizo ou metálicos, vidros de boa qualidade, número suficiente de vagas de garagem (uma para cada 35 metros quadrados).PerspectivasPompéia não acredita que o mercado continue aquecido até o final do ano. "O agravamento do cenário internacional fez com que muitos lançamentos programados para este ano fossem adiados." No início de 2001, segundo ele, havia uma previsão de que o número de novas unidades pudesse crescer de 10% a 15% em relação ao ano passado. Já em 2003, a previsão era de um aumento de 30%.Para Nogueira, da Brazilian Mortgages, os fundos imobiliários devem continuar atraindo investidores. "Mesmo que o cenário melhore, os fundos imobiliários continuarão atraindo recursos, pois o rendimento é dado pela locação dos imóveis. Mesmo que os juros recuem, o ganho para o investidor deve continuar no mesmo patamar, já que a queda do valor dos aluguéis tem uma resistência maior para cair", afirma.

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