Analistas apostam em novas exportadoras

Os administradores de recursos vivem uma corrida para desenvolver uma política de investimento em renda variável compatível com as expectativas para o próximo governo. Nesse cenário, as ações das companhias com potencial para aumentar ou iniciar suas exportações estão chamando atenção.As empresas que vendem no mercado internacional toda ou boa parte de sua produção estão no foco das aplicações desde 2001, por funcionarem como proteção contra a desvalorização do câmbio nacional. Porém, por estarem com o potencial de valorização limitado pelas altas já acumuladas, devem perder terreno para as companhias que ainda podem elevar suas receitas em dólar.As eleitas pelos especialistas consultados pela Agência Estado para refletir essa estimativa em ganhos no mercado de ações foram: Sadia, Weg, Coteminas, Santista Têxtil, Forjas Taurus, Acesita, Metal Leve, Marcopolo, Ferro Ligas da Bahia (Ferbasa), Mangels, Iochpe-Maxion e Eternit.Essas companhias têm em comum o fato de já terem produtos altamente competitivos para disputar mais espaço no exterior. A expectativa é que a busca por oportunidades fora do País se intensifique, apoiada em política de incentivo do governo. Por trás dessa lógica de exportação, explicou o chefe de análise do Safra, Sérgio Goldman, está a perspectiva de que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva irá dedicar atenção especial à balança comercial.Entre as medidas destacadas como importantes para esse movimento, o chefe de análise do JP Morgan, Pedro Martins, chamou atenção para a necessidade de desburocratizar as exportações, elevar o financiamento e desenvolver política contra as barreiras não tarifárias.O analista-chefe da Itaú Corretora, Reginaldo Alexandre, disse que a busca por novas exportadoras já vem ocorrendo, e algumas ações de segunda linha despontaram com essa perspectiva.Para o gestor de renda variável da administradora Tarpon, José Carlos Reis de Magalhães, o esforço de conquista de novos mercados será mais forte quanto maior a dificuldade das empresas para vender no mercado interno.Ele explicou que, além dos incentivos do novo governo, a política das multinacionais controladoras de companhias brasileiras também deve ampliar as vendas externas. Paralelamente ao aumento das exportações, Martins, do JP Morgan, lembrou que o novo governo também deve promover uma política de substituição de importações. Segundo o especialista, essas duas estratégias podem beneficiar alguns setores que estão praticamente fora do mercado de ações, como agricultura e eletroeletrônicos.

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