Analistas apostam em taxa de juros mais alta, aponta BC

Os analistas do mercado financeiro passaram a apostar em uma taxa de juros mais alta ao final deste ano. Pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) junto a 100 instituições financeiras e consultorias econômicas mostrou que as previsões para a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, subiram de 15,50% para 16% anuais. Foi o primeiro aumento depois de 11 semanas seguidas de manutenção da previsão da taxa Selic em 15,50%. Se confirmado esse cenário, os brasileiros só poderão esperar uma queda de apenas de 1,75 ponto porcentual até o final de 2005, dos atuais 17,75% para 16% ao ano.Para janeiro, a aposta é de uma elevação, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de 0,25 ponto porcentual da Selic para 18% ao ano. Essa poderá ser a quinta alta seguida dos juros. O mercado também subiu a previsão para a taxa Selic média ao longo de 2005, de 16,92% para 17,10%. A expectativa é de que os juros permaneçam em 18% em todo o primeiro semestre, só começando a cair na segunda metade do ano, se não houver novas pressões inflacionárias.Contrariando as expectativas mais otimistas, as projeções dos analistas para o IPCA (índice oficial de inflação do governo que serve de base para o sistema de metas) de 2005 foram mantidas em 5,70% na pesquisa, realizada na última semana de 2004. A manutenção da projeção interrompeu uma seqüência de três quedas consecutivas das projeções e frustrou o mercado que esperava mais uma pequena queda. A previsão de inflação continua bem acima da meta de 5,1% que vem sendo perseguida pelo Copom para o IPCA de 2005, motivo que leva o mercado a esperar novas altas dos juros. Para o dólar no final deste ano, as projeções caíram de R$ 3,00 para R$ 2,95 depois de terem ficado estáveis por três semanas consecutivas. Com o dólar em queda, o mercado diminuiu mais uma vez a estimativa de superávit da balança comercial que recuou de US$ 26,60 bilhões para US$ 26,39 bilhões. Há quatro semanas, os analistas esperavam um saldo comercial de US$ 27 bilhões. As previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2005 permaneceram estáveis em 3,5%. Também foram mantidas as estimativas de crescimento de 5,1% do PIB no ano passado.A pesquisa também revelou a continuidade da queda das previsões do mercado para a dívida líquida do setor público em 2005, que caíram de 52,05% para 52% do PIB. Essa é a quinta queda consecutiva. Há quatro semanas, a previsão estava em 53,60% do PIB.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.