Analistas avaliam decisão do FED

Os juros nos Estados Unidos permanecem estáveis em 6,5% ao ano. Essa foi a decisão do banco central norte-americano (FED), em relação à sua política de alta dos juros que tem por objetivo desaquecer a economia nos EUA e conter pressões inflacionárias. Desde junho de 1999, o FED já promoveu seis aumentos, elevando a taxa de 4,75% ao ano para 6,5% ao ano. O último aumento aconteceu em maio desse ano.A permanência dos juros nos EUA em 6,5% ao ano já era esperada. De acordo com Odair Abate, economista-chefe do Lloyds TSB, o aumento da produtividade foi decisivo para a manutenção da taxa. "Com o crescimento da produção, mesmo que os salários tivessem um aumento e, por conta disso, o poder de compra dos trabalhadores nos EUA aumentasse, a estabilidade da inflação não seria ameaçada", explica.Marcelo Cypriano, economista do BankBoston, acredita que o aumento da produtividade em 5,3% no segundo trimestre surpreendeu os analistas. "Esperava-se um crescimento de 4%. O resultado superior garantiu um maior controle sobre o preço dos produtos e sobre os índices de inflação", analisa.Próxima reunião do FED acontece no dia 3 de outubroAté a próxima reunião do FED, vários indicadores sobre a economia norte-americana serão divulgados e as taxas serão novamente reavaliadas. Abate acredita que os juros nos EUA devem ter mais um aumento de 0,25 ponto porcentual até o final do ano. "Isso pode acontecer até mesmo antes das eleições, em 7 de novembro. O FED não hesitaria em subir um pouco mais os juros para manter a economia norte-americana em desaquecimento suave", afirma. Cypriano, do BankBoston, é mais otimista. Ele não vê mais motivos para novas altas na taxa de juros nos EUA. "Nem mesmo a pressão no preço do petróleo deve comprometer a estabilidade dos índices de inflação nos Estados Unidos, pois os preços dos produtos tendem a ficar mais estáveis com o aumento da produção", afirma. O economista acredita que os juros norte-americanos devem chegar ao final do ano no patamar atual, de 6,5% ao ano.Decisão do CopomA decisão do FED pode influenciar o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deverá ser divulgada amanhã. Os analistas do mercado financeiro se dividem. Aqueles que acreditam em uma queda da taxa básica de juros - Selic - creditam a aposta ao sucesso da troca de títulos da dívida brasileira - bradies - por bônus globais, ao sucesso da venda das ações da Petrobras e à notícia de que a agência de risco Moody´s estaria avaliando, com perspectivas de melhora, o rating da dívida externa brasileira.Os que acreditam que o Copom deve deixar a taxa estável em 16,5% ao ano explicam que os índices de inflação estão muito pressionados, o preço do petróleo vem subindo com força e a situação econômica da Argentina ainda deve ser vista com cautela.Seguindo essa última tendência, Cypriano acredita que o Copom deveria adotar uma atitude de cautela e manter os juros no patamar atual. "Os índices de inflação subiram mais que o esperado. A manutenção dos juros em 16,5% ao ano ajuda a conter a alta dos índices", afirma.Abate também aposta que o Copom deve decidir amanhã por uma manutenção da Selic em 16,5% ao ano. Porém, o economista acredita que o cenário interno permite que o Comitê coloque o viés de baixa na taxa. Dessa forma, passadas as incertezas em relação à situação da Argentina, o Banco Central poderia reduzir a taxa de juros mais uma vez.

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