Analistas avaliam impactos do corte do FED

A sinalização de tendência de queda para as taxas de juros norte-americanas dada pelo FED, o banco central dos EUA, deixou o mercado financeiro dividido - apesar de o corte de 0,5 ponto porcentual na taxa ter ficado exatamente dentro do previsto e de a atitude reforçar a expectativa de corte na taxa básica de juro brasileira, a Selic, exatamente na mesma proporção."A pergunta é se o mercado não pode ser pego de surpresa e se a reação rápida e firme não pode estar sendo tomada por uma perspectiva de problema de crédito no País", avalia o diretor-adjunto de Tesouraria do BBV Banco, Fidel Alves de Araújo.Na verdade, a tendência de direção para a taxa de juro não é usada formalmente pelo FED. A autoridade monetária indica sua intenção ressaltando maior probabilidade de desequilíbrios no nível de atividade - quando os juros devem cair - ou de desequilíbrio inflacionário - quando a tendência é de queda.O economista do Unibanco Darwin Sallas Dib também avalia que o temor sobre a situação do crédito dos EUA é uma das grandes preocupações do FED, já que os bancos podem conter a concessão de novos empréstimos e acabar criando - ou acentuando - o processo recessivo. E apesar da melhora de fundamentos na economia brasileira, essa restrição ao crédito pode dificultar o financiamento do déficit no balanço de pagamentos brasileiro.Efeitos sobre o BrasilApesar da falta de consenso sobre o efeito da situação atual dos EUA sobre o Brasil, a expectativa de corte de 0,5 ponto porcentual na Selic em 14 de fevereiro foi reforçada. Para Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, o efeito da redução do juro nos EUA é positivo porque "reduz o custo da nossa dívida e dá maior atratividade aos ativos brasileiros". Além disso, a dimensão do corte "não indica pânico de que o País esteja entrando em recessão". Segundo Loyola, embora as exportações brasileiras sejam atingidas pelo desaquecimento da economia americana, a repercussão principal para o Brasil é na área financeira, com menor custo de captação.O economista-chefe do BBV Banco, Octávio de Barros, no entanto, avalia que é ingenuidade avaliar que o Brasil pode estar se descolando do cenário americano. Para ele, é preciso esperar de um a dois meses para observar a magnitude do ajuste nos Estados Unidos, antes de afirmar que o corte do juro americano será benéfico.O economista-chefe do banco JP Morgan, Marcelo Carvalho, destaca que a desaceleração dos EUA, seguida de fortes cortes dos juros, tem implicações positivas e negativas para a economia brasileira, mas destaca que os efeitos são imprevisíveis, talvez até neutros. "A redução do juro lá fora tem benefícios à vista e custos a prazo. Só vamos saber do impacto sobre exportações e investimentos diretos no segundo semestre."O ex-ministro da Fazenda, Marcílio Marques Moreira, vê mais aspectos positivos do que negativos para o Brasil com a desaceleração da economia americana. "Deveríamos nos preocupar se tivéssemos uma pauta de exportações voltada para os EUA, mas isso não ocorre", diz.

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