Analistas avaliam resultado do leilão do bloco de Libra

Para especialistas, resultado da partilha da primeira reserva de pré-sal não foi um fracasso, mas não houve disputa entre as companhias

Economia & Negócios,

22 de outubro de 2013 | 09h24

SÃO PAULO - O leilão do primeiro bloco do pré-sal, a reserva de Libra, realizado nesta segunda-feira, 21, levantou o debate sobre o modelo de partilha. O consórcio formado por Shell (20%), Total (20%), Petrobrás (10%) e pelas chinesas CNPC (10%) e CNOOC (10%) venceu o leilão. No total, a Petrobrás ficará com 40%, já que antes da partilha já tinha garantida uma fatia de 30%. A proposta vencedora preve o pagamento de 41,65% do lucro em óleo para a União.

"Concluído o leilão, de todo modo, não se pode dizer que tenha sido um sucesso, mas também não é possível concluir que fracassou totalmente. Um único consórcio apresentou proposta e esta, naturalmente, ficou no lance mínimo, sem nenhum ágio, portanto", analisa o colunista José Paulo Kupfer. Além de escrever uma coluna, o especialista gravou um vídeo sobre o assunto.

Para o colunista Celso Ming, a maior surpresa foi a participação de duas gigantes europeias (Shell e Total). "As duas estatais chinesas, CNOOC e CNPC (com 10% cada uma) já eram esperadas", escreveu em sua coluna no Estadão.

Segundo o professor da Fundação Getúlio Bargas (FGV) e do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), Aloisio Araujo, o resultado poderia ter sido pior. "A Petrobrás correu o risco de terminar o leilão de Libra com parceiros indesejáveis e mesmo com perspectiva de prejuízo, caso o vencedor fosse algum aventureiro que fizesse um lance demasiado ousado", escreveu.

"Depois de meses de campanha publicitária, excitação, protestos e ações judiciais, o Brasil finalmente leiloou sua maior descoberta de petróleo – o campo de Libra. ‘Leilão’, no entanto, talvez seja termo enganador", escreveu o Financial Times em um artigo.

Para o ex-diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) David Zylbersztajn, o modelo da partilha inibe a disputa. "Se você tirar o operador único, com participação mínima, independentemente de ser partilha ou não, já aumenta a competição, o que é bom", afirmou.

No mercado, o modelo e as regras incomodaram. Para especialistas, a falta de concorrentes ocorreu pela falta de transparência e pela a exigência de a Petrobrás ser a única operadora.

O editorial do Estadão desta terça-feira, 22, traz uma análise sobre as perspectivas. "O novo desafio da Petrobrás, depois do leilão do Campo de Libra, é conseguir o dinheiro necessário para o desenvolvimento e a exploração da maior reserva de petróleo já entregue à atividade empresarial no Brasil", afirma o editorial. Ainda segundo o texto, o leilão pode ter sido um sucesso, mas especialistas não acreditam que os próximos irão seguir o mesmo modelo.

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