Analistas: Bolsa ainda vai render muito em 2001

Do início de dezembro de 2000 até o fechamento de ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumula uma alta de 25,92%. Apesar do resultado expressivo, analistas consideram que o mercado acionário deve alcançar ganhos ainda maiores. No final do pregão de ontem, o Ibovespa - Índice que mede a valorização das ações de empresas mais negociadas na Bovespa - estava em 16.731 pontos."A nossa expectativa é que a Bovespa chegue ao final do ano em 21.000 pontos, o que significa uma alta em torno de 38% no acumulado do ano", afirma Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management. Alexandre Póvoa, diretor de renda variável da ABN Amro Asset Management, é um pouco mais otimista e espera que o Ibovespa chegue ao final do ano em 21.500 pontos - uma valorização de 40,90% em 2001.O otimismo dos analistas não foi diminuído nem mesmo com a queda de 5,32% verificada na Bolsa desde o início de fevereiro. Ziegelmann atribui a queda a um movimento de realização de lucros. "Muitos investidores que viram o valor dos seus papéis crescer com o desempenho favorável das ações em dezembro e janeiro aproveitaram o momento de instabilidade no quadro político, mesmo que pontual, para vender os papéis e embolsar os ganhos", avalia.Na análise de um período mais longo - até o final do ano -, o executivo do BankBoston ressalta que o único fator que pode comprometer o cenário favorável é um possível desaquecimento mais forte da economia norte-americana. "O risco de crédito nos EUA, ou seja, um calote no sistema financeiro pode provocar uma situação de crise, o que acaba gerando uma fuga do capital estrangeiro das bolsas de países emergentes", explica Ziegelmann.Por outro lado, o diretor da BankBoston Asset Management lembra que o desaquecimento suave do crescimento econômico - objetivo do banco central norte-americano (FED) quando iniciou o corte de juros no país em 3 de janeiro - pode beneficiar alguns países, principalmente Brasil e Argentina. Nesse cenário, as expectativas favoráveis para a Bolsa devem se confirmar. Nicolas Balafas, diretor de renda variável do BNP Asset Management, acredita que esse é o cenário mais provável. "O FED foi muito agressivo em sua política de redução dos juros e, apesar de ter impacto apenas no final do ano, os números da economia dos EUA já devem começar a sinalizar essa tendência", afirma.Riscos do mercado de açõesApesar das perspectivas favoráveis, o segmento acionário apresenta riscos que devem ser levados em conta pelo investidor na hora de colocar seus recursos nesse mercado. Um deles é a escolha do momento certo para comprar ações. "Com a alta de alguns papéis, fica mais difícil escolher a época certa para entrar na Bolsa", analisa Balafas. O executivo explica que uma das formas para se reduzir esse risco é distribuir o valor de aplicação em diversos dias. "Colocar todos os recursos disponíveis para a Bolsa em um só dia é mais arriscado. Se o total a ser investido for diluído em mais dias, o risco fica menor", avalia.Apesar das boas perspectivas, os analistas ainda recomendam que apenas a parcela de recursos que não tem uma data definida para resgate deve ser direcionada para o mercado de ações. Isso porque, mesmo que o preço dos papéis apresente oscilações durante o período da aplicação, o investidor poderá ficar com o dinheiro aplicado até que consiga o rendimento desejado.Veja os principais papéis recomendados pelos analistas na matéria seguinte.

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