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Analistas de NY se impressionam com ajuste nas contas

O ajuste nas contas correntes do Brasil tem surpreendido positivamente e impressionado cada vez mais os analistas internacionais que, no entanto, não chegam a um consenso sobre o impacto de tal desempenho na economia brasileira. Na opinião do economista-chefe para América Latina da Alliance Capital Management, James Barrineau, a virada nas contas correntes observada neste ano vai permitir uma redução nas necessidades do governo de moeda estrangeiras em 2003, dando um alívio importante para o governo. "Mantendo-se as condições atuais, a drástica redução no déficit de conta corrente vai ajudar o câmbio a se estabilizar, ou até mesmo a se apreciar um pouco, uma vez que as pressões do mercado causadas pelo cenário político se dissiparem", afirmou Barrineau à Agência Estado.Ele estima que o superávit da balança comercial poderá atingir US$ 15 bilhões em 2003, podendo o número final ser bem superior se a economia na Argentina se estabilizar. "Esse desempenho da balança comercial poderá ajudar as contas correntes a atingir equilíbrio em 2003 ou, no máximo, um pequeno déficit", explicou Barrineau.Para ele, o mercado ainda não reagiu totalmente à virada nas contas correntes. Em outubro, o déficit de conta corrente somou US$ 34 milhões, depois de dois meses consecutivos de superávit. No acumulado do ano até outubro, o déficit de transações correntes totaliza US$ 7,323 bilhões, ou 1,93% do PIB - bem abaixo dos 4,71% do PIB no mesmo período de 2001.CustoO economista-chefe para mercados emergentes do banco HSBC, David Lubin, também concorda que o ajuste nas contas correntes, em princípio, permitirá ao Brasil reduzir suas necessidades de financiamento externo em escala suficiente para aliviar as preocupações do mercado em relação à vulnerabilidade do País em 2003. Contudo, explicou Lubin, esse ajuste das contas correntes tem um custo. "O primeiro preço é possivelmente um crescimento econômico baixo", afirmou Lubin.Até o momento, o ajuste nas contas correntes tem sido resultado da contração das importações (que caíram 16% neste ano sobre igual período de 2001). "Para manter as importações em baixa, é preciso um nível deprimido de consumo doméstico, e isso significa baixo crescimento", explicou.O segundo preço a ser pago pelo ajuste nas contas correntes recai sobre a inflação, disse o economista do HSBC. "Da mesma forma que o déficit de conta corrente se beneficia de um real fraco, as expectativas inflacionárias sofrem com o câmbio depreciado", acrescentou."As expectativas inflacionárias estão claramente se deteriorando e em princípio esse ciclo vicioso poderia ser quebrado com um novo aumento de taxas de juros. Mas uma vez que o Brasil precisa taxas de juros baixas para manter o estoque da sua dívida doméstica pagável, o dilema enfrentado pelas autoridades de governo é bastante difícil", afirmou.

Agencia Estado,

27 de novembro de 2002 | 15h22

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